Vereador não é profissão

Uma das muitas justificativas dos vereadores da Capital para aumentarem as verbas de gabinete e criarem um vale refeição é de que os titulares da Câmara ganham pouco. Outra, com relação aos R$ 1.000,00 de vale refeição, informa que os parlamentares não tinham acesso ao benefício, que já existe para os demais servidores da casa. A verba de gabinete ainda serviria para remunerar melhor os atuais assessores ou contratar mais funcionários. Essas explicações, no entanto, só deixam mais claro o motivo pelo qual tantas pessoas se candidatam e querem disputar a eleição para vereador.

O que deveria ser um cargo para a representação da comunidade, se transformou em emprego, equiparado a cargo público e com salário de alta direção, equivalente ao de um executivo ou gerente de uma empresa. São poucos os vereadores que hoje, não somente em Florianópolis, mas nas grandes cidades do Brasil, que conseguem continuar exercendo as suas profissões de origem.

Eles têm optado por viver de um recurso que deveria apenas atender as despesas de representação. É o que acontece em países desenvolvidos, onde o vereador ao conquistar o cargo fica mais perto do povo e não perde seus hábitos diários, como andar de transporte público e viver de sua própria profissão, enquanto voluntariamente ajuda a comunidade. Os vereadores de Florianópolis sabiam que a comunidade iria reagir. Tanto que deixaram o projeto de Lei para o último minuto da última sessão.

E ainda ousaram convocar uma sessão extraordinária para garantir os benefícios. Não era a hora e nem o momento. E justamente quando esperamos o contrário: mais simplicidade, transparência e menos gastos. Exatamente no momento em que há sinais de que é possível construir um novo Brasil. Agora, prometem rever a decisão. Uma boa saída, antes que o prefeito Gean Loureiro faça o que já anunciou: vetar o aumento de despesas.

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