Vítimas do machismo

O aumento dos casos de feminicídio em Santa Catarina, que saltaram de 18 nos primeiros cinco meses de 2018, para 26, no mesmo período em 2019, é um alerta sobre a fragilidade das mulheres diante de criminosos disfarçados de maridos, namorados, pais ou padrastos. Enquanto a legislação se aperfeiçoa na busca por punições mais rígidas para quem comete esse tipo de crime, na expectativa de reduzir esses índices tão preocupantes, é espantoso perceber que, na cabeça dos agressores, ainda é tão difícil quebrar esse absurdo senso de dominação e violência.

A Lei Maria da Penha, que completará 13 anos em agosto, é considerada uma das mais eficazes contra a violência da mulher, mas apesar dela, mulheres continuam tendo suas vozes caladas, vítimas da covardia. Mas são muitas questões que apontam para as dificuldades de se romper com esse ciclo de violência.

Uma dessas questões está entranhada em uma sociedade que ainda relativiza feminicídios. Muitas vezes a mulher é responsabilizada pela violência sofrida, geralmente privando-a do suporte mínimo, e outras tantas reduzindo um assassinato a uma manifestação de machismo em sua forma mais banal.

Se não recebem uma proteção adequada dos órgãos de segurança, elas mesmo buscam uma maneira de se defender. Em Florianópolis, cresce a procura por aulas de defesa pessoal. Pelo projeto Floripa Elas, mais de 200 mulheres já participaram das atividades. Elas aprendem na prática como escapar de agressões e a usar materiais alternativos para se defender. Estão certas, não podem ficar sentadas ou caladas sendo vítimas do machismo velado do dia a dia.

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