Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Entrevista: Gustavo Ramos

O desenhista, pintor e escultor autodidata completa 40 anos de arte criando esculturas iluminadas expostas até na Europa

Foto: Divulgação/NDFoto: Divulgação/ND

Desenhista, pintor e escultor autodidata, ele começou a se interessar por arte quando saiu adolescente de Lages, onde nasceu, para viver com a família na Capital, no início da década de 1970. Formado em mecânica pela antiga Etefesc (Escola Técnica Federal de Santa Catarina), trabalhou por mais de 30 anos na área de projetos de águas e saneamento básico na Casan. Hoje, no seu apartamento/ateliê em Jurerê, Gustavo produz esculturas iluminadas, outra marca registrada sua, na expectativa de uma mostra comemorativa aos seus 40 anos de arte.

Como percebeste a atração pela arte?

Na verdade, não sei ou não lembro. Como no final da década de 1970 frequentava muito a Tico-Tico Molduras, do Max Moura, na Padre Roma, tinha acesso a muitas obras e longas conversas com Max. Comecei a pintar e ser incentivado para entrar no mundo artístico. Pode ser isso que tenha me despertado para a arte.

És autodidata. Nunca fizeste cursos teóricos ou técnicos, acadêmicos ou de aperfeiçoamento para entender e aprimorar o teu trabalho?

Não. Meu entendimento na arte veio através de muita leitura e estudos sobre arte. Claro, também de muitas conversas com artistas. É praticamente impossível citar todos, mas, com certeza, os que foram contemporâneos a mim. A turma dos anos de 1980 principalmente, meus irmãos e pessoas do meio cultural. Nos trabalhos que estou realizando hoje, que são as luminárias, muita conversa e troca de ideias com o designer Célio Teodorico.

Pintura abstrata de Gustavo Ramos – Foto: Divulgação/NDPintura abstrata de Gustavo Ramos – Foto: Divulgação/ND

Quando surgiu profissionalmente o artista Gustavo Ramos?

Em 1980, participei do 1° Salão Catarinense de Novos Artistas, um salão muito importante na época, com mais de 800 inscrições, no qual obtive o oitavo lugar e prêmio aquisição. Acho que aí, então, me vi envolvido no mundo artístico.

Como era a produção artística da época por aqui?

A tradição da arte figurativa em Santa Catarina começou a ser questionada nos anos de 1970, e nos anos de 1980 foi consolidada por artistas com uma produção de arte abstrata que se tornou um ícone forte na arte catarinense, firmando muitos pintores.

És desenhista, pintor e escultor. A tua maior produção é em qual destes nichos? Qual marca mais o teu trabalho?

Sempre gostei muito da pintura abstrata e foi ali que me encontrei. Além de uma paixão, também minha maior e talvez minha grande produção. Hoje, num momento muito bom, também estou gostando muito resultado do trabalho nas luminárias.

Pintura abstrata e cadeiras em miniatura de Gustavo Ramos – Foto: Divulgação/NDPintura abstrata e cadeiras em miniatura de Gustavo Ramos – Foto: Divulgação/ND

Da pintura passaste mais recentemente a obras tridimensionais. Por que a escultura veio tanto tempo depois?

Sim, o trabalho tridimensional veio mais forte bem depois da pintura. Estava trabalhando com pintura em grandes dimensões, mas algumas mudanças no caminho tornaram estes trabalhos com muitas dificuldades de serem realizados, como, por exemplo, espaço. Comecei a trabalhar com papel passe-partout recortado e encaixado peça por peça, vindo a seguir uma série de cadeiras em miniatura com sistema de encaixe que evoluíram para esculturas e, por, fim luminárias.

As luminárias foram expostas neste ano em Madri, Paris e Luxemburgo, em coletivas de artistas de diversos países. Como ocorreu o convite e qual foi a repercussão?

As exposições na Europa vieram através da curadora da Galeria Gaudí – Madrid, Elena Iglesias, que achou o trabalho muito interessante e de acordo com a proposta que a galeria queria levar para feiras internacionais de arte contemporânea. Os trabalhos foram vistos por meio da minha conta do Instagram. A repercussão foi muito positiva e bem aceita pelo público, tanto nas feiras como na Galeria Gaudí, que me representa na Europa.

Como elas são confeccionadas?

As luminárias são confeccionadas todas à mão em papel passe-partout. Trata-se de um sistema de encaixe das peças que podem chegar a casa de 50 ou mais peças e mais de 200 encaixes, dependendo do modelo. A luminária é composta de base e cubo.

Escultura iluminada em execução – Foto: Divulgação/NDEscultura iluminada em execução – Foto: Divulgação/ND

Participaste de salões e mostras coletivas no Estado, no país e no exterior. Estas oportunidades estão ficando raras. O que poderia ser feito por parte da classe artística, do setor privado e do poder público?

Realmente, com poucas exceções, as oportunidades estão ficando cada vez mais raras. O poder público não tem, e praticamente nunca teve, interesse nos assuntos da cultura em todos os segmentos, seja artes plásticas, dança, cinema, teatro, música, literatura e outros mais. Vivemos o momento que, em menos de 18 meses, assume o quinto secretário especial da Cultura. É muita incompetência. Do setor privado, pouco podemos esperar também. A classe artística tem que fazer acontecer, mas isso somente será possível com a união de artistas e produtores culturais para um mesmo objetivo.

Em função da pandemia, os locais de exposições estão fechados. Consideras que eles poderiam estar funcionando, haja vista que outros espaços estão recebendo fluxo de pessoas?

Hoje, com todos os problemas da Covid-19, está tudo parado. Mas acho que nada foi tão afetado quanto a cultura, pois nada pode funcionar porque cultura depende basicamente de público e aglomeração para tudo: cinema, shows, teatro, exposições de arte, circo, etc. Em alguns países, estão reabrindo museus e galerias de acordo com as instruções da OMS (Organização Mundial da Saúde). Fazer um evento hoje aqui seria possível, mas inviável pela estrutura e cuidados que se necessita.

Veja galeria de fotos abaixo. Clique na imagem para ampliar.

Entrevista: Gustavo Ramos

Cadeira em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeira em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeiras em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeiras em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeira em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeira em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeiras em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeiras em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeira em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeira em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeiras em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeiras em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeira em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Cadeira em miniatura de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Artista plástico Gustavo Ramos e suas esculturas iluminadas - Divulgação/ND

Artista plástico Gustavo Ramos e suas esculturas iluminadas - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

Escultura iluminada de Gustavo Ramos - Divulgação/ND

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