Guilherme Fiuza

Jornalista e escritor que iniciou a carreira em 1987, no "Jornal do Brasil". Entre outras redações, trabalhou em "O Globo" e revista "Época". Escreve também sobre política para a "Gazeta do Povo".


A ciência da propaganda

A diretriz segue a referência dada sobre o assunto pela Organização Mundial da Saúde

O Ministério da Saúde determinou que o plano de imunização não vacine contra Covid-19 adolescentes saudáveis de 12 a 17 anos. A diretriz segue a referência dada sobre o assunto pela Organização Mundial da Saúde.

No entanto, a maioria dos Estados brasileiros declarou que manterá a vacinação de adolescentes sem restrições, contrariando a máxima autoridade nacional de saúde. E você acha que está tudo normal.

Vaincação contra Covid – Foto: Myke Sena/MS/Divulgação/NDVaincação contra Covid – Foto: Myke Sena/MS/Divulgação/ND

Não está tudo normal para muita gente, apesar de que essa gente está sendo empurrada para uma cidadania de segunda classe. Não está tudo normal para Cristiane Borges, que perdeu sua única filha, Isabelli, por infarto aos 16 anos depois de se vacinar contra Covid.

Uma junta epidemiológica formada pelo governo do Estado de São Paulo foi ao hospital onde Isabelli morreu, em São Bernardo do Campo (SP), recolheu o prontuário dela e em cerca de 24 horas declarou que a morte não teve nada a ver com a vacina.

Nesse laudo, as autoridades dizem não haver sinais de enfermidade cardiológica na vítima – sendo que ela faleceu de infarto agudo do miocárdio. O laudo dessa junta afirma que Isabelli morreu de uma doença autoimune (que nunca se apresentara nos seus 16 anos de vida) – púrpura trombocitopênica trombótica (PTT). Esta doença está associada em pelo menos seis artigos científicos a reações decorrentes da aplicação da vacina Pfizer, a que Isabelli tomou.

O que Cristiane Borges quer – e todas as pessoas responsáveis com a saúde pública deveriam querer – é uma investigação consistente da causa da morte de sua filha, e não uma declaração sumária e precipitada.O zelo com a propaganda em torno de vacinas supostamente seguras e eficazes parece às vezes maior do que o zelo com a saúde humana. Ninguém poderá negar que essa propaganda é vencedora.

Hoje a decisão de qualquer indivíduo que queira avaliar com seu médico a conveniência ou não de se vacinar contra covid o joga automaticamente num massacre moral. É ou não é assim? Você sabe que é. E a supermodelo holandesa Doutzen Kroes também sabe.

Mas não quer aceitar o rolo compressor que a impede de decidir sobre a sua saúde – sabendo que além das dúvidas sobre segurança e risco, a eficácia das vacinas contra covid também está em estudo. Ela sabe que as vacinas sequer impedem o contágio – ou seja, ela entende que a suposta ética de proteção coletiva é falsa.Doutzen não quer dar moral para patrulheiros.

Foi à rede social e declarou: “Não vou me vacinar.” “Não serei obrigada a provar minha saúde para participar da sociedade. Não aceitarei a exclusão de pessoas com base em seu estado de saúde. Passe a tocha da esperança e do amor e fale a sua verdade.”Se o mundo não tiver adoecido moralmente de vez, a voz da supermodelo holandesa não poderá mais ser um grito isolado.

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