A impunidade distancia o Brasil do combate efetivo à corrupção

Paulo Alceu comenta sobre a necessidade de punir e combater a corrupção no Brasil

Numa escala de zero a 100, o nosso “Brasil varonil” obteve a nota 38. Mas independente da metodologia utilizada pela transparência internacional, que coloca nosso país numa posição desagradável e vergonhosa, o mais significativo é a percepção dos brasileiros em relação à corrupção.

É natural que, para os adversários de Bolsonaro, isso se deve às rachadinhas que envolvem os filhos e familiares do Presidente. Sem sombra de dúvida devem ser investigadas, pois é uma ilegalidade embalada pela corrupção. Mas, se a Lava Jato colocou quem nunca se imaginava atrás das grades, o STF, sem titubear, anulou condenações e santificou os corruptos confessos.

E quando se imaginava que os corruptos de carteirinha fossem recuar, eles voltaram com todo o apetite, desviando recursos destinados, inclusive, à saúde e à proteção das pessoas em plena pandemia.

Foram mais de 70 operações da Polícia Federal, localizando desvios e roubalheira descarada, como ocorreu comprovadamente com o consórcio do Nordeste, com gente ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Mais de R$ 50 milhões desaparecidos e nada. Por aqui, foram R$ 33 milhões. Isso a CPI da podridão omitiu, enquanto tentava construir com narrativas uma corrupção no Governo Federal, e nunca buscando onde havia indícios reais. Isso acaba fortalecendo o ambiente putrefato da corrupção.

As rachadinhas podem estar no contexto, mas esse governo, diferente do de Dilma Rousseff, não trocou, em um ano, mais de 80 ministros por causa da corrupção deslavada na Esplanada dos Ministérios. A impunidade sistêmica de réus, apoiada por togados de interpretações tortas das leis, nos coloca ainda mais distantes de um combate efetivo contra a corrupção. E, lamentavelmente, o sentimento de que o crime compensa prevalece.

+

ND Notícias

Loading...