Guilherme Fiuza

Jornalista e escritor que iniciou a carreira em 1987, no "Jornal do Brasil". Entre outras redações, trabalhou também em "O Globo", do qual é hoje articulista. Escreve também sobre política para a revista "Época" e para a "Gazeta do Povo".


A quem interessa os números das pesquisas eleitorais favoráveis a Bolsonaro?

A resposta é simples: interessa a quem vive dessa especulação. Ao país, certamente não interessa

Pesquisas informaram que Bolsonaro é favorito para a reeleição em 2020. Não vamos mencionar as pesquisas, nem discutir seus percentuais. Vamos só nos concentrar no seu enunciado básico: “Se as eleições fossem hoje, Bolsonaro seria reeleito com…” etc, etc. O problema é o seguinte: as eleições não são hoje. Nem amanhã. Nem depois de amanhã. Nem no ano que vem. Faltam mais de dois anos para as eleições presidenciais. A quem interessa esse videogame eleitoral?

A resposta é simples: interessa a quem vive dessa especulação. Ao país, certamente não interessa.

O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia comemorativa do 7 de Setembro, no Palácio da Alvorada. – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND

Especular sobre eleição presidencial agora é fazer coreografia com números que não dizem absolutamente nada sobre o que estará acontecendo em 2022 – até porque pesquisas que cometem erros grosseiros na véspera da eleição não haverão de ser um parâmetro seguro dois anos antes. Essa pantomima interessa a gente como Luiz Inácio da Silva.

Olha que coisa boa: você rege o maior assalto da história do seu país, é condenado a mais de 20 anos de prisão, consegue sair da cadeia graças aos seus amigos togados e aparece numa pesquisa como “presidenciável”. É ou não é um belo banho de loja?

E tem pra todo mundo. Até para o governador do Maranhão, um político nacionalmente desimportante que tenta aparecer combatendo uma ditadura imaginária e prometendo o paraíso socialista. Esse personagem de fanfarra deu uns agrados a uma revista decadente e foi parar na capa dela, com uma estatura que só o melhor jornalismo de cabresto poderia lhe conferir.

A pesquisa serve para personagens patéticos como esse serem apresentados como “candidatos a presidente” e ganharem mais uns pontos com as suas claques, das quais eles vivem, em seus projetos particulares de homens públicos.

E assim é para toda aquela alegre agremiação dos presidenciáveis de plantão – Marina, Ciro, etc. E tem os novatos no ramo, como Amoedo, Mandetta, Moro, Huck, Dória, Witzel… Opa, parece que pro Witzel complicou um pouco. Vamos fazer uma rápida pesquisa eleitoral aqui nesta coluna: se as eleições fossem hoje, você votaria em Wilson Witzel para quê? Responda espontaneamente, só não vale grosseria.

A plataforma de todos os “candidatos” supracitados é exatamente a mesma: fingir que o Brasil caiu no fascismo, que a Amazônia está sendo transformada em estacionamento, que a quarentena burra impediu que a epidemia dizimasse a população nacional, que o governo é homofóbico e eles são os heróis da tolerância e da sensibilidade.

Proponho substituir as pesquisas eleitorais para 2022 pela seguinte pesquisa: o que você acha que tem que acontecer com quem espalhou o pânico para roubar a população, bater no cidadão e fingir que a sociedade trancada deixaria o vírus do lado de fora?