Sérgio da Costa Ramos

Escritor e jornalista, membro da Academia Catarinense de Letras, autor de doze livros de crônicas, e figurou na imprensa diária nas últimas duas décadas.


Álbum de figurinhas eleitoral

Os eleitores precisam se concentrar menos no álbum de figurinhas da infância e mais nas trocas de outubro do ano que vem no crucial “álbum eleitoral”

Quem já foi guri e trocou figurinhas de um álbum na fila de um cinema, sabe do que se fala: trocar uma figurinha “fácil” por uma “difícil”. Os eleitores precisam se concentrar menos no álbum de figurinhas da infância e mais nas trocas de outubro do ano que vem no crucial “álbum eleitoral”.

Os eleitores precisam se concentrar menos no álbum de figurinhas da infância e mais nas trocas de outubro do ano que vem no crucial “álbum eleitoral” – Foto: Reprodução / NDTV BlumenauOs eleitores precisam se concentrar menos no álbum de figurinhas da infância e mais nas trocas de outubro do ano que vem no crucial “álbum eleitoral” – Foto: Reprodução / NDTV Blumenau

Trata-se de uma nova chance para passar um raio-x e banir da política aquelas figurinhas comprometidas com o verbo mais conjugado da República: o “subtrair”, que é trair astuciosamente, eufemismo elegante para “roubar”.

Parlamentares sérios – e é claro que eles existem – deveriam propor um projeto de alteração curricular nos programas de ensino de primeiro e segundo graus.

A clara definição do que seja “representação popular”, “dinheiro público” e “mandato” – aquela procuração que o coitado do eleitor outorga de “boa fé” para que um cidadão, supostamente honesto, o represente nas assembleias deliberativas da nação.

O Brasil cultiva uma viciada noção do que seja “dinheiro público”. Por ser público, certos agentes acreditam que “não seja de ninguém”. Está ali ao alcance da primeira ave de rapina que esticar o bico.

As campanhas precisam encontrar custos realistas neste Brasil fascinado pela transgressão. Uma campanha para deputado federal não pode custar R$ 2 milhões. Se custar, o mandato, claro, vai ser pura “moeda de troca”.

Chega. Pública já é a verba dos fundos partidários e a renúncia fiscal dos tempos que a televisão concede para uso dos partidos. O que é necessário para a moralização das campanhas é a honestidade pessoal do candidato e a sua disposição em gastar sola de sapato e boa conversa, apresentando-se ao eleitorado dos “distritos”, ainda que o voto distrital não exista oficialmente.

Valerá o seu ânimo de revelar-se de cara limpa para os seus vizinhos e dizer: “sou candidato, meus planos são esses…”.

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O país precisa voltar a respeitar o Código Penal. Todas as espécies nascem com um certo sentido de respeitar a propriedade do alheio. H.L. Mencken, cáustico jornalista americano dos anos 1930, espécie de “alter ego” da moralidade pública nos EUA, dizia que “no respeito a um bem alheio, um cachorro é muito mais civilizado que o homem”.

– Um cão persegue e castiga o outro que roubou o seu osso. Já o homem…

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O Iphan e o Forte

Terreno da Praça Forte São Luiz está em região valorizada da Baía Norte, na Capital – Foto: Foto Flávio Tin/Arquivo/NDTerreno da Praça Forte São Luiz está em região valorizada da Baía Norte, na Capital – Foto: Foto Flávio Tin/Arquivo/ND

O Iphan esclarece, com a paciência dos que professam a boa vontade e a fé pública: a obra da Praça do Forte São Luís, defronte ao Shopping Beiramar, foi paralisada por decisão da Justiça Federal, em ação civil pública movida pelo MPF.

“No que tange a competência do Iphan, a obra já poderia ter sido iniciada desde 31 de maio de 2021, data em que autorizou o acompanhamento arqueológico da área, feito simultaneamente”.

“Desta forma, segundo a referida decisão, as obras não podem ser iniciadas até nova decisão judicial”.

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