Augusto Nunes comenta sobre política, jornalismo e seu novo livro

Jornalista renomado, Augusto Nunes fala de política, grande mídia e divulga seu próximo livro, relatando encontros inusitados com dez presidentes brasileiros

No Conexão ND desta segunda-feira (5), Moacir Pereira recebeu o jornalista Augusto Nunes. Comentarista político em grandes meios de comunicação do Brasil e autor de mais de cinco obras, Nunes se dedica ao jornalismo há mais de 40 anos. Experiente, tem passagens pelas revistas Veja, Época e pelos jornais O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil e Zero Hora.

Augusto Nunes, jornalista e futuro âncora do Jornal da RecordJornalista Augusto Nunes concede entrevista a Moacir Pereira e fala sobre política, jornalismo e seu novo livro – Foto: Reprodução/ND

Atualmente, é diretor de conteúdo do Grupo Record, do Portal R7, comentarista político do jornal da Record. Também conduz o programa Direto ao Ponto e participa, na rádio Jovem Pan, do programa “Pingo nos Is”. Nunes também é o futuro âncora do Jornal da Record News.

Mais recentemente, também na TV, apresentou o semanário de entrevistas Roda Viva, da TV Cultura. Política, Jornalismo, a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal) e o seu novo livro são temas da entrevista, transmitida pela Record News. Ela também fica disponível aqui no ND+ e

Os melhores trechos da entrevista com Augusto Nunes no Conexão ND você confere a seguir:

O que espera do novo desafio na Record?

Eu comecei a fazer comentários na Record há um ano e meio. Comentários diários no Jornal da Record e me dei muito bem. Estou muito à vontade, falo com liberdade. O ambiente é o melhor possível e é mais um espaço para comentar a realidade brasileira.

Moacir Pereira entrevistando Augusto NunesO jornalista Moacir Pereira durante entrevista com o futuro âncora do Jornal da Record, Augusto Nunes, no Conexão ND – Foto: Reprodução/ND

Acho que os chamados grandes jornais estão retratando um Brasil distorcido, que existe muito mais na cabeça de jornalistas militantes, então, esses espaços devem ser valorizados. É o que vou fazer com a oportunidade de ancorar na Record News.

Por estímulo da Record, não precisei deixar os programas que faço no rádio, veículo que descobri há três, quatro anos. Vou poder, agora, conjuntamente, participar de programas de rádio importantes e participar de uma TV que, logo, será a maior do Brasil.

No carro, ouço a Jovem Pan de Florianópolis. Mas, em casa, acompanho a Jovem Pan pelo Youtube. É um fenômeno novo também, não é?

Sim. É o rádio virando TV. O alcance dos comentários do rádio é nacional, cobre todo o país e, agora, com imagens, virou TV. A televisão está cada vez mais ágil. Com isso, cumprem o papel que revistas semanais desempenharam, no passado, publicando o fato e a análise.

A televisão é rápida e o rádio é instantâneo. Se você apresenta a notícia e a análise, – não uma análise encampada por todo mundo, porque não existe verdade absoluta. As pessoas podem discordar, mas tem que ser sincera e falar de fatos, não de versões.

Existe a verdade e existem versões. Só há uma verdade, que é a factual. É o contrário da mentira. Acho que fazendo isso, o rádio e a TV competem com as mais avançadas plataformas, que temos na internet.

O ouvinte, que virou espectador, e o espectador da TV acompanha análise junto do fato e começa a pensar. Esse é o jornalismo moderno.

Com a experiência que você tem, o que está acontecendo com alguns setores da grande mídia brasileira atualmente?

O que está acontecendo é uma confusão entre o que alguns querem que aconteça e o que vai acontecer presumivelmente. E o pior: você confunde o que você gostaria de estar vendo, com o que o povo vê.

Exemplo: na semana que passou, os jornais apresentaram as mudanças do Ministério da Defesa e no comando das Forças Armadas como uma crise. Você lia notícias sobre um possível autogolpe do presidente Jair Bolsonaro. Em outro texto, lia que as Forças Armadas estavam rebeladas.

Aí você lia outro falando em tapas e socos na mesa, discussões, sem a identificação dos envolvidos das supostas desavenças. Eu disse o seguinte: ‘olha, o que vai acontecer é nada’. Porque houve uma troca. Bolsonaro trocou ministros que não o agradavam, por outros.

Pela primeira vez, os jornais tiraram da primeira página a pandemia, para isso serviu. Tiraram para colocar uma crise militar que não houve. O leitor se sente enganado e isso reflete na tiragem. Quando eu dirigi o Estadão, na virada dos anos 1980 para 1990, a tiragem do jornal aos domingos era de 500 mil. Hoje, essa é a soma dos 10 principais jornais do Brasil.

E esse manifesto de seis presidenciáveis… Essa mistura política não é possível entender. Eles estão defendendo a Democracia. Onde a Democracia está ameaçada?

Nunca. Eles se dizem democratas. Eles assinam o manifesto exigindo a democracia ameaçada e não permitem que Sérgio Moro, por exemplo, assine. Eles chamam todos os que divergem de fascistas, pois bem, a democracia pressupõe o convívio dos contrários. O teu adversário não é necessariamente um extremista, muito menos um fascista. Fascista é quem impede a liberdade de expressão do outro.

Quais são os principais erros do governo Bolsonaro?

Acho que Bolsonaro procura problemas que pode, perfeitamente, evitar. Eu disse isso a ele, lealmente. Ele me lembra a figura de uma pessoa que atravessa a rua para pisar em uma casca de banana no outro lado da calçada. Não precisa. Ele deveria evitar isso. Não ficar brigando com repórter.

Acho que tem dificuldades para ouvir algumas pessoas leais. Ele não gosta de ouvir críticas. E acho que, às vezes, se fecha bastante e restringe o círculo de conselheiros à própria família.

Deveria prestar mais atenção a áreas que não são tão bem tratadas pelo Governo Federal, em especial cultura e turismo. Deveria nomear, para essas áreas, especialistas tão competentes quanto os nomeados em determinados ministérios mais técnicos. Exemplo: o Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. É um Ministro que não se queixa e que faz!

No início da República, o grande Ruy Barbosa advertia que a pior ditadura é a do Judiciário. O Supremo está se especializando nisso. Quem vai parar?

Essa é a ditadura real, existente. O que aconteceu na 2ª turma, com a Lava Jato, mostra que no Faroeste à brasileira que o PT criou, é o bandido que persegue o mocinho. E o vilão que tenta prender o juiz.

Primeiro eles [ministros do Supremo] não são juízes, são advogados. Com exceção de Luiz Fux, que fez concurso e foi aprovado para ingresso na Magistratura, os demais foram advogados, escolhidos por presidentes em circunstâncias variadas.

O Lewandowski é um medíocre professor de Direito. Os alunos achavam péssimas as aulas dele. Foi escolhido porque a mãe era amiga da Marisa Letícia [ex-primeira-dama e mulher de Lula].

O Toffoli foi reprovado duas vezes no concurso da Magistratura Paulista. Como alguém que não conseguiu ser juiz em uma comarca paulista, consegue ser presidente do Supremo, como foi recentemente? Li um voto dele em estado bruto, antes de passar pelos assessores, fiquei horrorizado. Quem vai parar isso é o povo. O Brasil será o que o povo quiser. Vivo repetindo isso.

Para encerrar, fale um pouco sobre o livro que você está produzindo.

Vou lançar daqui dois, três meses, um livro em que conto meus encontros não-divulgados com dez presidentes da República do Brasil e também com Fidel Castro. São histórias inéditas, engraçadas.

Augusto Nunes e o ex-presidente Jânio Quadros, que renunciou em 1961Augusto Nunes e o ex-presidente Jânio Quadros em 1980; Nunes era diretor de Veja nesta época – Foto: Reprodução/ND

Com o Jânio Quadros, por exemplo, foi uma bebedeira vasta, de várias horas. Mas não faço humor. Mostrando esse lado menos conhecido dos presidentes, é possível mostrar a alma deles.

E o Brasil vai saber que a norma é ter na Presidência da República gente meio estranha. O que tem de maluco na presidência mostra que o Brasil resiste a tudo. O título provisório é: Meus encontros e desencontros (com os presidentes).

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