Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.


Bakcup em fita do SERPRO pode salvar 95% dos arquivos do STJ

Corte foi hackeada e perdeu todos os arquivos online e até seu backup digital

Um bakcup em fita convencional guardada pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) pode salvar mais de 95% dos arquivos do Superior Tribunal de Justiça que foram hackeados semana passada.

A Corte superior, com sistema digital frágil (nota-se) perdeu todos os arquivos online e até seu backup digital no próprio parque tecnológico com o ataque dos criminosos.

O backup em fita, considerado arcaico por empresas nos tempos modernos (sem interligação com o sistema online) raramente é utilizado por órgãos do Governo e do Judiciário.

Neste caso, o STJ recorreu a uma estante de arquivo decano e se livrou do problema que poderia fazer a Corte ter que digitalizar todos os milhares de processos.

O ruim do episódio é que os hackers podem ter tido acesso a processos em segredo de justiça que envolvem bilhões, e até os quais políticos são investigados pela PF.

Com o sistema online fragilizado, o STJ chegou a suspender um leilão de bens de empresa de bebidas em recuperação judicial, que aconteceria de terça a hoje.

ATUALIZADA 16/11, às 14h51 – O SERPRO nega que tenha fita de backup do sistema digital de processos do Superior Tribunal de Justiça, mas os melhores de sua equipe estão numa força-tarefa com técnicos de TI da Corte para recuperar o sistema. É trabalho sigiloso, enquanto a Polícia Federal rastreia o caminha dos hackers.

“O Serpro vem somando a sua expertise a outras equipes, conduzindo a crise com resiliência e contando com o suporte de uma força-tarefa do Governo, liderada pela Secretaria de Governo Digital do Ministério da Economia. O objetivo é reforçar esforços e adotar protocolos e medidas preventivas e protetivas”, avisa a assessoria.

Freio de arrumação

Aliás, a Quinta Turma do STJ anulou a Operação Grabato, da Civil, por supostas ilegalidades em compras de equipamentos para o hospital de campanha do GDF.

A Turma não reconhece a competência do juiz da 6ª Vara Criminal de Brasília para o caso, por se tratar de repasse de verbas federais para a pasta. As provas recolhidas, porém, não foram anuladas, e a decisão agora está com a Justiça Federal.

Brizola

A família do saudoso ex-governador Leonel Brizola protesta contra a retirada de seu nome da Termelétrica da Petrobras em Duque de Caxias (RJ). Consultada pela Coluna, a petroleira alega que a ANEEL determinou, em 2019, a troca de nomes de 11 termas.

Segundo a Petrobras, a “mudança foi feita para facilitar o registro dos nomes no INPI. O artigo 124, inciso XV, da Lei de Propriedade Intelectual diz que não são registráveis ‘o nome civil ou assinatura, nome de família ou patronímico e imagem de terceiros’.

Ah, bom…

A turma do deixa disso entrou na linha, via chanceler Ernesto Araújo, e o presidente Jair Bolsonaro avisou a Todd Chapman, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, que pólvora não quer dizer guerra.

Chapman, nomeado por Donald Trump, e Bolsonaro se consideram amigos. O embaixador mandou indireta para ele no Twitter logo após a declaração polêmica do presidente, de que “temos pólvora”, ao criticar a eleição de Joe Biden.

Aliás, o Brasil não eliminou a Doença de Chagas e a Dengue, transmitidas por mosquitos. Vai declarar guerra à maior potência atômica do mundo?

Canetada

O Ministério da Economia demitiu dia 4 (Deu no D.O.) o auditor da Receita Carlos André Silva Tamez por uso indevido do cargo em proveito próprio. Ele é conhecido autor do livro Ética na Administração Pública. Não conseguimos contato ele.

Barreira.. 

O professor Fernando Peregrino foi reeleito presidente do CONFIES com o desafio de continuar o processo de desburocratização para os pesquisadores e cientistas no Marco Legal da Ciência e Tecnologia. Nova sondagem da entidade mostra que a burocracia aumentou para 54% dos consultados.

A maioria dos pesquisadores ouvidos diz ainda perder mais de 20%, em média, do tempo de trabalho com serviços burocráticos, com compra de materiais e insumos para laboratórios das instituições de pesquisa científica e tecnológica.