Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.


Bolsonaristas apostam em vitória de Arthur Lira para retomar pautas engavetadas

Candidato apoiado pelo Planalto foi cobrado sobre votação da PEC do voto impresso

Deputados da ala bolsonarista apostam na eventual vitória de Arthur Lira (PP-AL), candidato chancelado pelo Planalto, para destravar pautas e propostas que ficaram engavetadas durante a gestão de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Nos últimos dias, Lira foi cobrado principalmente sobre a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 135) que estabelece a impressão de cédulas em papel na votação e na apuração de eleições, plebiscitos e referendos no Brasil.

Lira tem confirmado que, se eleito, vai retomar a discussão da proposta. De autoria da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), a PEC foi aprovada com folga em dezembro de 2019 na Comissão de Constituição e Justiça. Foram 33 votos favoráveis e apenas cinco contrários.

Além de partidos do Centrão, a PEC recebeu votos favoráveis da oposição: dois do PDT e três do Partido dos Trabalhadores. O PSB votou contra.

Desde que foi aprovada pela CCJ, a proposta aguarda a instalação de comissão especial para analisá-la. Crítico ao voto impresso, Rodrigo Maia (DEM-RJ) travou a PEC e não instalou o colegiado. Depois de passar pela comissão, o texto ainda terá que ser votado em dois turnos pelo Plenário da Câmara.

Em setembro de 2020, o STF decidiu que é inconstitucional a adoção do voto impresso ao concluir que a medida viola o sigilo e a liberdade. Os ministros seguiram o entendimento do relator, Gilmar Mendes, que mencionou o custo – de R$ 2 bilhões – para aquisição do módulo impressor para todas as urnas.

Revés

Desarticulado e ainda sem candidato, o MDB no Senado já sofreu duas derrotas: não conseguiu o apoio do Planalto, apesar de ter dois líderes do Governo, e foi escanteado pelo presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP). O partido foi o principal fiador da tentativa de reeleição de Alcolumbre – barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Caciques emedebistas também tentaram demover o PT do apoio ao candidato apadrinhado por Alcolumbre, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Mais um revés. A bancada petista selou a aliança com o democrata, que já conta com o apoio declarado de outras três legendas. Agora, Alcolumbre e Pacheco miram o Podemos e o PSDB.

Profut

O presidente Jair Bolsonaro seguiu a orientação dos ministérios da Economia e da Cidadania ao vetar cinco artigos do projeto (PL 1.013/2020) que previa a suspensão do pagamento de dívidas de clubes inscritos no Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut).

O projeto foi aprovado pelo Congresso em dezembro de 2020. Segundo o Ministério da Economia, os artigos que previam a suspensão de pagamentos não apresentaram “a estimativa do respectivo impacto orçamentário e financeiro”.

Cronograma

O Fórum Nacional de Governadores se reúne novamente hoje com o ministro da Saúde, Eduardo Pazzuello, para cobrar o cronograma de vacinação contra o Covid-19. Os chefes de executivos estaduais também vão reiterar o pedido para que a imunização tenha início simultaneamente em todo o País.

Alta

O preço de produtos que compõem a cesta básica sofreu aumento em todas as capitais do país ao longo de 2020. As principais altas foram verificadas em Salvador (32,89%) e Aracaju (28,75%). E a menor foi a de Curitiba (17,76%), segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Com base na cesta mais cara – de São Paulo -, o Dieese aponta que o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 5.304,90, equivalente a 5,08 vezes o mínimo atual. O cálculo, segundo o Departamento, é feito levando-se em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

E a chuva?

A Companhia de Abastecimento do Recife irá paralisar o fornecimento de água para 55 bairros na capital e em Jaboatão, além das cidades de Camaragibe e São Lourenço da Mata. A justificativa oficial é a melhoria no sistema Pirapama que está sem pressão suficiente para levar a água aos locais. Mas, o fator preponderante – a falta de chuva nos mananciais – não foi mencionado pela Compesa.