Rodrigo Constantino

Ele se define como "um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda politicamente correta".


Capital político e reformas

Pesquisas mostram a aprovação ao governo Bolsonaro em alta

Pesquisas mostram a aprovação ao governo Bolsonaro em alta, e somando quem julga o trabalho regular, bom e ótimo, temos quase 70% dos entrevistados, segundo o Ibope. Apenas 29% consideram o governo ruim ou péssimo, e isso mesmo com toda a artilharia pesada de parte da imprensa, que chega a pintar o presidente como um genocida culpado pelas mortes da pandemia e pelos incêndios no Pantanal.

Diante dessa realidade, que produziu clima de velório em certas redações, a resposta é reduzir o fenômeno ao auxílio emergencial. O que era antes louvável e tinha até pressão de “paga logo”, virou símbolo do populismo. É verdade que a maior queda na rejeição veio do nordeste, mas ali o presidente tem sua menor taxa de aprovação ainda. Ou seja, na margem pode ter surtido algum efeito, claro, mas está longe de explicar a história toda.

A verdade, que essa ala da mídia se recusa a admitir, é que o governo vem fazendo um bom trabalho em várias áreas, a despeito de críticas legítimas pontuais, e faz isso sem escândalos de corrupção. Como os jornalistas não criticam o presidente, mas sim o demonizam, distorcendo fatos e forçando narrativas, o público percebe e se coloca na defensiva.

A perda de credibilidade dessa turma é diretamente proporcional ao ganho de apoio do presidente. Para mais de 40% dos entrevistados as notícias sonbre o governo são desfavoráveis, enquanto apenas 25% consideram que são imparciais. O viés partidário é evidente, mas negado pela patota, o que só gera mais desgaste para a mídia e adesão ao tom crítico do presidente.

A grande questão que surge é o que Bolsonaro fará com essa popularidade maior. Se ele achar que já está reeleito, entrar num clima só de palanque e acreditar que pode abrir mão das reformas, aí a crise econômica poderá ser inevitável e, na frente, essa aprovação estará em xeque.

Mas se o presidente usar esse capital político para formar uma nova base de governo, não permitir o enfraquecimento de seu “posto Ipiranga” na economia, e avançar com a pauta liberal, ainda que parcialmente desidratada pela necessidade política, aí a economia volta aos trilhos, a recuperação será rápida, e seu governo terá um bom legado para mostrar quando chegar 2022.

Bolsonaro precisa fazer malabarismo, equilibrar-se entre a lógica econômica de Paulo Guedes e o realismo da governabilidade, tudo isso sem flertar demais com a tentação populista. Não é trivial, mas é viável. E se assim for feito, teremos um país melhor, e o eleitor saberá reconhecer os méritos do governo – aqueles que parte da imprensa se recusam a enxergar mesmo quando evidentes.