Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.


Declaração de Pazuello contrasta com Nota do ministério que indica cloroquina

No documento, constam orientações da pasta para “manuseio medicamentoso precoce” de pacientes com diagnóstico de Covid

A declaração do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de que nunca indicou remédio para o tratamento do Covid-19, contrasta com a Nota Informativa (Nº 17/2020) na qual constam orientações da pasta para o “manuseio medicamentoso precoce” de pacientes com diagnóstico da doença.

No documento de 74 páginas, é recomendado o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina sob argumento, entre outros, de que diversas instituições, tanto internacionais quanto nacionais, preconizam o uso dos dois medicamentos – que não têm eficácia comprovada – em pacientes.

A Nota contém diversas orientações para o uso dos medicamentos, como dosagens para sintomas leves, moderados e graves, e para crianças: “Os pediatras devem estar alertas para o pronto reconhecimento destes casos, incluindo crianças com febre prolongada e não esclarecida, possibilitando o reconhecimento e o manejo adequado e oportuno”.

Dias atrás, em meio ao colapso em Manaus, o Ministério da Saúde lançou o TrateCOV. Voltado para profissionais da saúde, o aplicativo também recomenda e orienta o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina.

Deputados do PT e do Psol foram ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público com pedido de investigação de Eduardo Pazuello, após o ministro pressionar a Prefeitura de Manaus a receitar o uso de cloroquina e outros medicamentos sem eficácia comprovada.

Estoque

O Exército ainda tem 391.260 comprimidos de cloroquina no estoque. À Coluna, o Centro de Comunicação afirma que seu Laboratório Químico Farmacêutico não está mais produzindo o medicamento.

No ano passado, o Exército pagou 167% a mais pelo principal insumo para produção da cloroquina (difosfato). Em justificativa ao TCU, alegou que a compra – com sobrepreço – foi feita devido à “necessidade de produzir esperança para corações aflitos”.

Solidariedade

Embora a cúpula do Solidariedade tenha declarado apoio ao candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ), Baleia Rossi (MDB-SP), a maioria dos deputados da legenda mantém o voto em Arthur Lira (PP-AL). A bancada tem 14 parlamentares, dois quais pelo menos oito divergem da orientação do partido e seguem com o candidato do Palácio do Planalto.

A um mês da eleição que vai escolher o sucessor de Rodrigo Maia (DEM-RJ), outras legendas – como PSDB e DEM – também estão na mesma situação do Solidariedade: fechados oficialmente com Baleia Rossi (MDB-SP), mas com deputados avulsos em campanha para Arthur Lira (PP-AL).

Zé Esplanador

Nosso leitor assíduo e ícone da coluna, o Zé Esplanador – seu lema é Perguntar não ofende, Cobrar é de direito – estava sumido. Rodou o Brasil quieto nos últimos dois meses e volta irritado com muitos desmandos que viu. Hoje, comenta a vacina salvadora.

Para Zé Esplanador, bastavam o assistente médico e o(a) morador(a) para o início da vacinação, mas o Brasil é um circo sem lona. Têm que aparecer na foto os governadores, prefeitos, secretários de saúde etc. E não será diferente no Ministério da Saúde. Isso aqui é uma tragicomédia há 521 anos.

Leitos


O Ministério Público Federal ingressou com ação civil pública para que a Justiça determine a habilitação de leitos UTI para pacientes com Covid-19 de forma mais ágil e transparente. O MP constatou lapso de até três meses entre a solicitação da habilitação e o atendimento pelo Ministério da Saúde.

Rombo

O rombo nas contas públicas do governo poderá chegar a R$ 218,2 bilhões em 2021, prevê a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal. O relatório da IFI também mostra que os gastos com o Covid-19 já somam, neste ano, R$ 36,1 bilhões.