Desocupação de áreas habitadas antes da pandemia é suspensa por Barroso

Ministro do STF suspendeu, por seis meses, o despejo de locatários de imóveis residenciais vulneráveis

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou na última quinta (3) a suspensão por seis meses de ordens ou medidas de desocupação de áreas já habitadas antes de 20 de março do ano passado, quando foi aprovado o estado de calamidade pública em razão da pandemia da Covid-19.

O ministro considerou que o “risco real” de uma terceira onda de contágio da doença e a crise sanitária justificam as medidas.

Ministro do STF, Luís Roberto Barroso – Foto: Carlos Moura/SCO/STFMinistro do STF, Luís Roberto Barroso – Foto: Carlos Moura/SCO/STF

De acordo com a decisão, não serão permitidas “medidas administrativas ou judiciais que resultem em despejos, desocupações, remoções forçadas ou reintegrações de posse de natureza coletiva em imóveis que sirvam de moradia ou que representem área produtiva pelo trabalho individual ou familiar de populações vulneráveis”.

Locatários de imóveis

Barroso também suspendeu o despejo de locatários de imóveis residenciais em condição de vulnerabilidade por decisão liminar, ou seja, sem prévia defesa, antes mesmo do devido processo legal. O conceito de vulnerabilidade será analisado caso a caso pelo magistrado que atuar na situação concreta.

O ministro deferiu parcialmente a cautelar em ação apresentada pelo PSOL (ADPF 828) para, segundo ele, “evitar que remoções e desocupações coletivas violem os direitos à moradia, à vida e à saúde das populações envolvidas”.

O prazo de seis meses será contado a partir da decisão “sendo possível cogitar sua extensão caso a situação de crise sanitária perdure”, destacou o ministro.

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