Eduardo Leite: ‘Não podemos ficar nessa eleição entre o indesejável e o inaceitável’

Governador do RS estreia a série “Rumo ao Planalto”, com entrevistas exclusivas que serão exibidas no telejornal ND Notícias e demais plataformas do Grupo ND

Dentro do seu projeto de cobertura das eleições 2022, o Grupo ND vai revelar aos catarinenses o perfil e os projetos dos pré-candidatos à Presidência da República.

Governador do RS, Eduardo Leite concede entrevista para o Grupo ND – Foto: Divulgação/NDGovernador do RS, Eduardo Leite concede entrevista para o Grupo ND – Foto: Divulgação/ND

A estreia da série “Rumo ao Planalto”, entrevistas exclusivas que serão exibidas no telejornal ND Notícias e demais plataformas do grupo, é com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).

Ele disputa com o governador paulista, João Doria (PSDB), e o ex-prefeito de Manaus (AM), Arthur Virgílio Neto (PSDB), as prévias do partido no dia 21 de novembro. Um deles será o candidato oficial da sigla para tentar ocupar o lugar de Jair Bolsonaro (sem partido).

O governador gaúcho concedeu entrevista nesta semana durante sua visita à capital federal. Na longa conversa ele fala de tema políticos e econômicos. Leite também abordou temas polêmicos como o porte de armas, descriminalização da maconha e aborto.

Nesta quinta-feira (18) será a vez do pré-candidato João Doria falar sobre seu projeto para o Brasil. A entrevista com Doria foi feita pelo comentarista político Altair Magagnin, que viajou a São Paulo especialmente para conversar com o pré-candidato do PSDB.

Confira a entrevista com Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul:

Como o senhor viu a tramitação turbulenta dessa PEC dos Precatórios e o fato do Auxílio Brasil ter que sair justamente deste dinheiro?

O primeiro ponto a ser destacado é a falta de uma ação concreta do governo atual no sentido de fazer o necessário no combate de privilégios, nas privatizações, evitar despesas que seriam evitáveis. Para poder dar condição fiscal para que fizesse um aumento de aporte em programas sociais.

É claro que precisa colocar mais recurso para transferir à população mais vulnerável que precisa de atenção, de suporte do governo. Eu sou um defensor dessa atenção, dessa política de transferência de rendas. Só que é importante a gente abrir espaço fiscal, não para artifício contábil.

Isso gera uma crise de credibilidade no ponto de vista das contas públicas. E se tem uma crise de credibilidade há fuga de capital, dólar que aumenta, pressão inflacionária também por conta da expansão de gastos sem redução de despesas de outro lado, a inflação é pressionada, os juros aumentam, a economia acaba sendo deprimida.

Tanto é que alguns bancos já projetam para o ano que vem menos de 1% de crescimento econômico. O Brasil está caminhando para a estagnação e com inflação.

O que fizemos no Rio Grande do Sul dá bem o tom do que eu acredito ser ação de governo, que é reformar, transformar para dentro do governo, diminuindo as despesas. O Estado nem conseguia pagar salários, fornecedor, nem prestadores de serviço, hoje paga suas contas em dia.

Abre investimentos sem precisar aumentar impostos, pelo contrário, estamos reduzindo impostos, porque fizemos uma forte redução de despesas e medidas que são antipáticas, mas que eram necessárias.

O ex-ministro Sergio Moro se filiou ao Podemos. Quem é Sergio Moro para o senhor?

Ele já não é mais juiz e tem esta possibilidade legal para fazer sua filiação. Não tem como deixar de dizer que, claro, abre um caminho para críticas para a própria Operação Lava Jato, que já sofre as suas críticas por conta de uma possível politização. Até por que não é apenas ele quem está apresentando ingresso na vida política. O que mais uma vez reitero é legítimo.

Também o ex-procurador de Justiça, o Dallagnol (Deltan). Enfim, essa entrada na política acaba interferindo na credibilidade da própria operação. Vamos acompanhar agora a sua entrada na política, o que ele tem a falar sobre as tantas frentes em que uma liderança política deve se debruçar.

A gente conhece bem a atuação dele sobre o combate à corrupção. Foi uma atuação destacada, importante, com a pauta que trouxe. E agora vai apresentar sua visão sobre outros temas.

Em 2018, segundo turno, o senhor divulgou apoio a Jair Bolsonaro. E agora passou a ser um crítico. Como o senhor vê a diferença do que era proposto em 2018 para a realidade hoje?

Importante marcar essa diferença. Em 2018 não juntei meu nome ao do Bolsonaro, não fiz campanha para ele, não fiz material de campanha conjunto, não fiz a defesa do voto nele, pedidos de votos para ele. Eu fiz campanha para o Geraldo Alckmin no primeiro turno.

Eduardo Leite falou ao Grupo ND sobre principais temas em debate no Brasil – Foto: Divulgação/NDEduardo Leite falou ao Grupo ND sobre principais temas em debate no Brasil – Foto: Divulgação/ND

No segundo turno, diante de duas alternativas que se apresentaram numa eleição plebiscitária em relação a um caminho, a gente acaba escolhendo o outro. E o outro caminho que se apresentava para o Brasil era um caminho já conhecidamente pior.

Por que o Partido dos Trabalhadores, lamentavelmente, além de protagonizar escândalos de corrupção comprovados, a gente tinha ali um modelo econômico que deu errado. Que expandiu o gasto, tanto que Bolsonaro está fazendo agora.

Bolsonaro se aproxima do modelo econômico do PT simplesmente para sustentar um projeto político de poder. Não podemos ficar nessa eleição entre o indesejável e o inaceitável. A gente precisa avançar ao país que a gente quer construir.

A questão do desemprego, pessoas passando fome, o que o senhor tem a oferecer ao brasileiro em relação ao emprego?

Não tem uma bala de prata para o emprego. É um conjunto de coisas, mas eu sintetizaria da seguinte forma: primeiro o país tem de recuperar a confiança e a credibilidade. O mundo está crescendo. O Brasil, como eu falei, está com menos de 1% de crescimento econômico para o ano que vem.

Exclusivamente por conta da sua irresponsabilidade, do ponto de vista fiscal, dos problemas internos, essa constante instabilidade, ameaça que vai fechar Supremo Tribunal Federal, diz que não vai cumprir decisão judicial, briga com Congresso, briga com governador, briga com todo mundo.

Irresponsabilidade nas contas, gasta mais do que arrecada. Tudo isso gera um ambiente de tensão para quem investe. Quem vai fazer negócios está procurando estabilidade.

Montantes de recursos públicos foram aprovados no Congresso Nacional para o Fundo Eleitoral e Fundo Partidário. Qual sua avaliação sobre a população bancar campanhas e partidos?

Esses fundos ajudam a nossa democracia a ser mais livre, na medida em que torna mais independente a atuação política de pressões econômicas, lobby de determinados setores específicos da economia.

Por outro lado, é fundamental que o volume de recursos esteja adequado às condições financeiras e fiscais do país. Então os aumentos recentes que fizeram de aportes em fundos eleitorais eu entendo que não deveria ter sido feito, considerando o contexto da pandemia em que a economia toda sofreu, o país ficou mais pobre, a renda média do trabalhador caiu, desemprego aumentou, não caberia se falar de aumento de aportes de fundos eleitorais e partidários. Acho que nesse sentido foi um equívoco.

Qual a posição do senhor sobre a liberação de armas?

Acho que a regulamentação que a gente tem e teve até o Bolsonaro, que se mantém ainda com alguma restrição, deve ser mantida. As armas não devem ser de acesso livre para todos. Há que se ter restrições.

Claro, com situações excepcionais na questão da atividade rural, em algumas áreas algum tipo de acesso deve ser garantido por condições de segurança de patrimônio, onde o Estado tem mais dificuldade de atuar.

Eu entendo que algumas situações excepcionais deva-se garantir o acesso com controle, com registro. Acho que a legislação que nós temos no Brasil está adequada.

E sobre o aborto qual a posição do senhor?

Tema sensível, porque infelizmente muitos homens ao abandonarem seus filhos estão de alguma forma, para eles, abortando. A mulher não tem essa mesma condição de, simplesmente, abandonar. Ela carrega já na gravidez o seu filho e, imediatamente, após o nascimento é dependente diretamente dela.

Agora, não deve se impor a visão de um grupo, de um presidente da República, mesmo que eu entenda que o tema mereça debate, o avanço sobre esse tema só pode acontecer uma vez que se crie na sociedade uma consciência a respeito deste assunto, mas a gente não pode ter nele um tabu que não se discuta simplesmente, mas também devemos ter todos os cuidados para evitar uma banalização da vida.

A legalização das drogas, da maconha, por exemplo?

O uso medicinal da maconha é razoável, é legítimo. Tanto quanto o outro tema (aborto) a gente entende que a discussão sobre a legalização da maconha deve vir dentro de um debate com a sociedade.

Não dá para fechar os olhos que a política antidrogas como se apresenta não tem sido eficaz. Ter disponibilidade de discutir e buscar alternativas, o que não significa que eu seja automaticamente a favor de legalizar qualquer tipo de droga para que ela seja utilizada de forma desmedida.

Tem que ser sempre um trabalho de conscientização sobre os problemas, os efeitos colaterais negativos. Não sou a favor de consumo de nenhuma droga, mas a simples legalização não está se mostrando efetivo, então tem que ter disponibilidade para discutir.

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