Petrolândia, em SC, elege novo prefeito e dá lição de cidadania para o mundo

Com uma diferença de apenas 16 votos, Irone Duarte (PP) vai assumir o comando da cidade; eleição também mostrou a segurança das urnas eletrônicas para observdores internacionais

Petrolândia viveu um domingo (13) diferente de quase todas as outras cidades do Brasil, já que a população precisou voltar às urnas menos de um ano depois da eleição para, novamente, eleger um prefeito e um vice-prefeito para a cidade até 2024. E a decisão foi por 16 votos.

Moradores comparecem para escolher o novo prefeito de Petrolândia na manhã deste domingo (13) – Foto: João Victor Góes/NDMoradores comparecem para escolher o novo prefeito de Petrolândia na manhã deste domingo (13) – Foto: João Victor Góes/ND

Além disso, a presença inédita de observadores internacionais e a primeira auditoria realizada em um pleito suplementar representam aporte para segurança das urnas eletrônicas e as eleições brasileiras.

Irone Duarte (PP) e Egon Weber (PSD) foram eleitos com 2.195 votos, o equivalente a 47,98% dos votos válidos. O candidato eleito entrou na disputa depois que Rogério Domingos (PP), que foi eleito em 2020 mas teve o registro de candidatura indeferido por falta de documentos, desistiu de concorrer à eleição suplementar.

A dupla superou a chapa encabeçada pela vereadora e atual prefeita interina da cidade, Angela Adriana Krindges (MDB), a “Hiti”, e que tinha Jair Marinho Neto (MDB) como vice. Os dois  receberam 2.179 votos, ou 47,63% dos votos válidos.

Em terceiro lugar ficaram Edson Silva Padilha (Podemos) e Amarildo Custodio (Podemos). Os dois tiveram 201 votos – 4,39%. Padilha também havia disputado a eleição em 2020 e havia perdido para Rogério Domingos.

Candidatos, Petrolândia, eleições, Prefeito de Petrolândia – Foto: João Victor Góes/NDCandidatos, Petrolândia, eleições, Prefeito de Petrolândia – Foto: João Victor Góes/ND

Mais que a eleição

Próximo das eleições de 2022, não é exagero dizer que a importância do pleito em Petrolândia é de proporção nacional. Além da escolha dos novos administradores da cidade, a eleição suplementar do municípios foi de grande importância não apenas para os petrolandenses, mas para todo o país, já que o pleito serviu de vitrine internacional para a lisura do processo eleitoral eletrônico brasileiro.

Desde quinta-feira (10) um grupo de observadores internacionais que integram as ONGs (Organizações Não Governamentais) Transparencia Electoral e Conferencia Americana de Organismos Electorales Subnacionales por la Transparencia Electoral (Caoeste) acompanharam todo o passo a passo da realização da eleição em Petrolândia.

Auditoria pode ser acompanhada e também é transmitida ao vivo – Foto: João Victor Góes/NDAuditoria pode ser acompanhada e também é transmitida ao vivo – Foto: João Victor Góes/ND

Entre as especialistas que vieram ao Brasil está Ann Miller Ravel. A norte-americana, moradora da Califórnia, já integrou a FEC (Comissão Eleitoral Federal) dos Estados Unidos, sendo indicada pelo ex-presidente Barack Obama e com apoio unânime do senado norte-americano. Também é professora de Direito na Universidade da Califórnia e já foi candidata à senadora.

Em entrevista ao Grupo ND, Ravel contou que está impressionada com o sistema de votação eletrônica no Brasil. Ela destacou principalmente a agilidade, rapidez e segurança do processo – garantida pelo sistema de auditoria realizada pelo TRE, e considerou um exemplo . “Vou levar essa ideia para onde eu for. Serve como exemplo para os países com voto em cédula”, classificou a pesquisadora.

Dia tranquilo

Apesar da temperatura marcando 12ºC e o tempo fechado, a maioria dos 5.5189 eleitores de Petrolândia compareceu às urnas para exercer o direito ao voto, principalmente no período da manhã.

Os três candidatos também decidiram votar no período matutino, assim como os aposentados Judite Capistrano Viggers, de 70 anos, e o marido Maurino Francener, de 79, que votaram na Educação Básica Hermes Fontes.

“A votação foi bem organizada. O pessoal está muito consciente sobre o que está acontecendo nos dias de hoje”, avaliou Judite. Francener também elogiou a rapidez da votação, mas criticou o fato de precisarem repetir o pleito. “É falta de bom senso”.

Lenita Popeng Schwambach, 52 anos, não concorda com a realização da eleição suplementar – Foto: João Victor Góes/NDLenita Popeng Schwambach, 52 anos, não concorda com a realização da eleição suplementar – Foto: João Victor Góes/ND

Apesar da população ter escolhido representantes em 2020, quando todo o país passou por eleições municipais, o prefeito e vice-prefeito eleitos tiveram os registros indeferidos. Rogério Domingos (PP), o Déio, e Selmo Klauberg (PSD) não apresentaram o documento comprovando a inexistência de processos dentro do prazo estabelecido.

A agricultora Lenita Popeng Schwambach, de 52 anos, optou por votar no período da tarde. Segundo ela, apesar da agilidade no momento da votação, a necessidade da eleição suplementar durante a pandemia da Covid-19 era uma situação evitável.

“Os candidatos deveriam ser menos omissos e mandar a documentação correta para que a população não precise se deslocar durante a pandemia, mais uma vez”, completou.

Integridade certificada

Logo que a votação foi encerrada, às 17h, também foi finalizado o teste de integridade da urna eletrônica. O processo havia começado no sábado (12) com o sorteio das urnas a serem auditadas e a votação simulada.

Para o presidente do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral), desembargador Fernando Carioni, a auditoria foi como o esperado: mostrou que as urnas são seguras e que não há porque se preocupar com a integridade dos dados.

“A auditoria foi perfeita, tanto que demonstrou a realidade do que é a urna eleitoral. A quantidade de votos foi exatamente o que foi apurado pela equipe da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que demonstruu que não há condição de prática de qualquer tipo de fraude, é uma urna segura que demonstra fielmente a vontade do eleitor brasileiro”, concluiu.

Veja o que disse o presidente do TRE-SC sobre a segurança das urnas eletrônicas:

Presidente do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral), desembargador Fernando Carioni. – Vídeo: João Victor Góes/ND

Já a conclusão dos observadores ainda deve levar algum tempo, Agora ele svão reunir todos os dados coletados durante a eleição de Petrolândia e produzir um relatório, que deve ser entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nos próximos meses.

Diplomação e posse

Com a proclamação do resultado da eleição, o TRE-SC vai definir a data da diplomação dos eleitos, o que segundo o calendário eleitoral deve ocorrer até o dia 1º de julho, e também a posse. Até lá, a cidade de Petrolândia segue sob o comando da prefeita interina, Angela Adriana Krindges (MDB), que depois retorna ao cargo de vereadora.

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