Em CPI, Pazuello diverge de documento encaminhado ao STF sobre crise do oxigênio em Manaus

Ex-ministro da Saúde afirmou que soube do risco iminente de colapso no sistema público de saúde na Capital amazonense no dia 10 de janeiro

Em depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (19), o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou que soube do risco iminente de colapso no sistema público de saúde em Manaus no dia 10 de janeiro. O sistema de saúde colapsou no dia 14 e dezenas de pessoas morreram em decorrência da falta de oxigênio.

Pazuello na CPIEx-ministro da Saúde Eduardo Pazuello cita Blumenau em depoimento à CPI da Covid – Foto: Divulgação/Agência Senado

“Eu tomei conhecimento de riscos em Manaus no dia 10, à noite, numa reunião com o governador e secretário de Saúde, quando eles passaram suas preocupações com problema de logística”, afirmou Pazuello.

O ex-ministro informou também que, dois dias antes, em 8 de janeiro, havia iniciado o transporte aéreo de oxigênio para a capital amazonense. “Todas as ofertas de entrega de oxigênio, eu acertei todas. Se elas não foram concretizadas, não posso dizer o porquê.”

A declaração dada por Pazuello à CPI, porém, diverge da informação feita pela AGU (Advocacia-Geral da União). Em manifestação encaminhada ao STF (Supremo Tribunal Federal), José Levi Mello do Amaral Júnior afirmou que o governo federal, sob a gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), sabia da situação de escassez de oxigênio em Manaus desde o dia 8.

De acordo com o documento, ao qual a reportagem do R7 Planalto obteve acesso, o Ministério da Saúde providenciou reuniões de seu secretariado e deliberou pelo envio de uma comitiva à cidade de Manaus logo após o início do ano.

As reuniões foram realizadas entre 3 e 4 de janeiro de 2021. Entre as conclusões, segundo o documento, estão: possibilidade iminente de colapso do sistema de saúde em 10 dias devido à falta de recursos humanos para o funcionamento dos novos leitos, há dificuldades na aquisição de materiais de consumo hospitalar, medicamentos e equipamentos, há necessidade de estruturação de leitos de UTI com celeridade para atendimento aos pacientes que já demandam internação, constada pela alta ocupação dos leitos de serviços de urgência e emergência e estima-se um substancial aumento de casos, entre o período de 11 a 15 de janeiro, em função das festividades de Natal e Ano Novo.

Após o diagnóstico, o secretariado do ministério desenvolveu o Plano Manaus, com diretrizes voltadas ao apoio das administrações locais com o objetivo de normalizar o atendimento à saúde. Nesse momento, decidiu-se pela viagem do ministro da pasta, general Eduardo Pazuello, ao local.

“Até então, o Ministério da Saúde não havia sido informado da crítica situação do esvaziamento de estoque de oxigênio em Manaus, ciência que apenas se operou em 8 de janeiro, por meio de e-mail enviado pela empresa fabricante do produto”, afirma o documento da AGU enviado ao STF sobre o colapso da rede pública de saúde.

“Eu acredito que as medidas possíveis, a partir do dia 10, foram executadas. Com relação a situação específica do Amazonas, o tempo de resposta, a partir de acionamento de Força Aérea, em quatro, cinco dias, estávamos com os níveis de estoque sendo restabelecidos. Se nós tivéssemos sabido antes, poderíamos ter agido antes”, disse Pazuello.

*Com informações do R7

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