Rodrigo Constantino

Ele se define como "um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda politicamente correta".


Estamos vivendo uma era de cinismo empresarial sem precedentes

Este foi o desabafo de um executivo após uma empresa utilizar claramente o pretexto de inclusão racial via ação de marketing e ver seu nome ser divulgado

“Estamos vivendo uma era de cinismo empresarial sem precedentes”. Este foi o desabafo de um executivo após uma empresa utilizar claramente o pretexto de inclusão racial via ação de marketing e ver seu nome ser divulgado e comentado gratuitamente. Fica a pergunta: eles também vão parar de receber suas vendas por qualquer cartão Black?

Para esse executivo, esse tipo de atitude somente aguça o preconceito e a discriminação no país. É uma forma fácil e barata de “lacrar” e, com isso, ganhar holofotes da mídia e das redes sociais, bancando ainda por cima o bonzinho e o consciente social. Mas é um marketing que faz mal no longo prazo.

As empresas, afinal, precisam ser geridas com base no princípio da meritocracia, do foco no indivíduo e suas habilidades, seus resultados, independentemente de raça, sexo ou qualquer outro critério arbitrário.

A sinalização de virtude tem outro risco: os movimentos organizados que falam em nome das minorias não vão parar, não vão se contentar com algumas migalhas. São chacais e hienas insaciáveis, e quando o outro lado mostra fraqueza, cedendo a essa patrulha, eles intensificam a pressão.

Em breve as grandes empresas terão de ter cotas para mulheres ou negros em todos os departamentos, na diretoria, no Conselho, e isso poderá ser a morte da boa gestão, calcada no mérito individual, na produção de resultados. É o socialismo batendo à nossa porta por meio da política de identidade.

Esses dias ganhou destaque uma fala da apresentadora Glória Maria sobre o politicamente correto. Ela afirmou que nunca sofreu assédio moral em sua carreira. “Eu acho isso tudo basicamente um saco”, desabafou.

Para ela, “hoje tudo é racismo, tudo é preconceito”. Glória era chamada de “neguinha” de forma carinhosa pelos colegas, e não via nada de mal nisso. Mas hoje nada mais pode. Nem paquera!

O que essas empresas estão fazendo é um flerte perigoso com o politicamente correto. Alimenta o radicalismo coletivista e fomenta ainda mais segregação em nosso país miscigenado, em que 40% rejeitam a definição binária de preto ou branco, considerando-se pardos.

Glória só erra em um ponto: ela diz que isso tudo é um “porre”, que o politicamente correto é muito “chato”. Mas não é apenas chato. É asfixiante, contrário às liberdades básicas, totalitário.

Quem não cede e não ajoelha perante seus inquisidores acaba “cancelado”, boicotado. Estamos de volta ao clima medieval de censura. Não é “chato”, é assustador! Empresas que ignoram isso para “lacrar” ou lucrar, de olho no curto prazo, estão fazendo um pacto com o diabo. Esse cinismo oportunista é um perigo e poderá custar muito caro e todos nós.