Moacir Pereira

Notícias, comentários e análises sobre política, economia, arte e cultura de Santa Catarina com o melhor comentarista politico de Santa Catarina. Fundador do Curso de Jornalismo da UFSC. Integrante da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, é autor de 53 livros publicados.


Ex-governador Amin lamenta morte do engenheiro Marcos Rovaris

Políticos, servidores e técnicos manifestam pesar pelo falecimento do ex-secretário

O falecimento do ex-secretário de Transportes e Obras do governo Amin, engenheiro Marcos Rovaris, causa consternação entre políticos, engenheiros e diferentes profissionais que atuaram em Santa Catarina entre 1982 e 1987.

Engenheiro Marcos Rovaris foi mais uma vítima da Covid-19 – Foto: Arquivo Pessoal/NDEngenheiro Marcos Rovaris foi mais uma vítima da Covid-19 – Foto: Arquivo Pessoal/ND

O ex-governador Esperidião Amin manifestou seu grande pesar pela morte do amigo:

“Acabo de ser informado do falecimento do grande amigo e companheiro de trabalho Marcos João Rovaris. Engenheiro de grande conhecimento técnico, companheiro de trabalho de grande capacidade de aglutinação, de busca de entendimento. Uma pessoa extremamente valiosa na história dos transportes e da infraestrutura de Santa Catarina. Mais um que a Covid nos leva. Quero expressar meus sentimentos de pesar a todos os seus familiares, e pesar também como catarinense pela sua perda”.

O jornalista Aderbal Machado também relatou algumas das credenciais e das qualidades do amigo falecido:

“O engenheiro Marcos Rovaris estava recolhido à sua aposentadoria como servidor público estadual efetivo e vivia ao redor da família. Relembrava eu com seu primo Sérgio Machado, meu sobrinho, da personalidade diferente de Marcos Rovaris. Ele era despojado, não ligava para indumentária, desprezava solenidades e trajes sociais. Era homem de linha de frente, porém igualmente planejador. Respirava planilhas, esquadros e compassos com a mesma naturalidade com que pisava o chão rústico de nossas searas interioranas, tracejando rodovias e implantando serviços. Tanto quanto uma simplicidade no trato e na aparência, tinha também sua linguagem direta, sem meneios e circunlóquios. Era direto. Pedra, pedra, pau, pau. Ou era oito ou era oitenta. Ou frio ou quente, jamais morno. Sem meios termos.

A sua morte encerra um ciclo virtuoso de personalidades com os quais, infelizmente, pouco se consegue conviver hoje em dia, pela simples e boa razão de não encontrá-las por aí. Tudo está muito sofisticado e acadêmico. Não que isso seja um demérito em si mesmo, mas a tipologia comportamental de Marcos João Rovaris contrastava acidamente com isso. E provava ser eficaz pelo pragmatismo e pela objetividade.

Uma das lembranças mais caras que tenho dele é de quando, jornalista em Florianópolis, estive com ele em seu gabinete no Edifício das Secretarias e vi o seu assessor de imprensa trazendo um relatório com as notícias veiculadas pela imprensa naquela semana com atos da secretaria de Transportes. O jornalista saiu e eu perguntei: ‘Relatório pra quê?’ Ele foi direto: ‘Tem metas a cumprir e a cota semanal é de no mínimo dez notícias emplacadas na imprensa. E tem que provar ou leva esporro’.

E soltou uma sonora gargalhada. Bem do seu jeito bonachão. O rigor e a exigência do bom serviço era, pra ele, também um ato de amor. A imagem anexa foi retirada de seu perfil no Facebook. Ele cuidando do neto, num átimo de sossego merecido. Perfil que, diga-se, tem mesmo o seu jeito. Quase nada de informação e de imagens. A estampa de sua personalidade reservada, que só visava cuidar das coisas com lisura e espontaneidade.
Com certeza Deus o quis para projetar algum caminho pra todos nós, quando irmos pra lá.”