Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.


Flechada nas costas: Índios levam desvantagem no STF e na Câmara

Corte analisa ação sobre validade do Marco Temporal e Congresso avança na lei que tira da Funai poder de demarcação

Enquanto os índios protestam em frente do Supremo Tribunal Federal contra o processo do Marco Temporal – a ação segue a conta-gotas com pedidos de vistas – as tribos que desembarcaram em Brasília no início de setembro não atentam para o que acontece em suas costas do outro lado da Praça dos Três Poderes.

Está pronto para votação no plenário da Câmara dos Deputados esta semana – há pressão para o colégio de líderes já colocá-lo  na pauta – o Projeto de Lei que dá poder ao Congresso de palavra final sobre novas demarcações de terras indígenas. Representante única das etnias nesse assunto, a Funai perderia esse poder.

Se de um lado, no Judiciário, os índios correm o risco de perder o direito à ocupação sobre algumas terras em que hoje vivem, de outro o Parlamento – com forte base ruralista – pode lhes tirar a voz para novas homologações.

É um golpe duplo nas etnias.

Mexe-mexe

Cláudio Panoeiro é o novo Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em lugar da apadrinhada da dona Michelle Bolsonaro, Priscilla Gaspar, promovida.

Tradição e fé

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, visitou Dom Valmor Oliveira, Arcebispo de Belo Horizonte, para típica conversa mineira regada a café e pautas conservadoras.

Alô, TRE

‘Em São Paulo, você votaria no Abraham Weintraub para governador?’. A pergunta foi feita no Instagram pelo ex-ministro do MEC e pode configurar campanha antecipada.

Aliás..

.. Weintraub saiu chutado do MEC e quer ser candidato a governador. Não é um ex-bolsonarista, mas já avisou a próximos que não quer Bolsonaro em seu palanque.

Choque..

Deu curto-circuito forte a relação do secretário de Economia do Distrito Federal, André Clemente, com a nova diretoria da Neoenergia – que comprou a CEB. Técnicos da concessionária que organizavam cabos de fiação de um poste cortaram há dias, por engano, a rede de TI da secretaria. O secretário chamou a PM, que prendeu dois deles.

..e faíscas

O episódio rendeu um boletim de ocorrência também por parte do Jurídico da Neoenergia. Após as faíscas se apagarem, coube ao secretário, mais calmo, propor um almoço com a diretoria da concessionária, uma das maiores pagadoras de ICMS do DF.

Rescaldo

Para o rescaldo das pazes na quinta-feira, no restaurante Caminito do Sudoeste, foram chamados também os principais deputados distritais da base governista. A Secretaria informa que a pauta foram planos para o DF, que o incidente foi superado e que as relações hoje são as melhores possíveis.

Muita reza

O ex-AGU André Mendonça, o ‘terrivelmente evangélico’ indicado por Bolsonaro para o STF, não tem os votos para ser aprovado na sabatina no Senado – que sequer foi agendada. Vai ter que rezar muito, porque a bancada não entrou nessa oração.

Dois na fila

Jair Bolsonaro tem dois planos B, caso Mendonça seja barrado: William Douglas, desembargador do Rio de Janeiro e pastor evangélico; e o PGR Augusto Aras.

Até Moraes

Mendonça não é o único que passa por aperto. O hoje todo-poderoso ministro do STF Alexandre de Moraes foi reprovado em votação no plenário do Senado, anos atrás, para vaga no Conselho Nacional de Justiça.

Jeitinho congressual

À ocasião, Moraes foi salvo pelo senador Romero Jucá, com ajuda da bancada paulista, em especial dos senadores Aloysio Nunes e Romeu Tuma. Jucá alegou que havia 72 senadores presentes, mas só 57 votaram – porque os outros estavam no Cafezinho da Casa. E num jeitinho regimental, o Senado fez nova votação. Moraes passou.

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