Governo Federal tem débito com SC, afirma deputado Darci de Mattos

Parlamentar ressalta apoio ao presidente Jair Bolsonaro e analisa os investimentos do Ministério da Infraestrutura nas rodovias de Santa Catarina

O deputado federal Darci de Mattos (PSD) afirmou que o Ministério da Infraestrutura está em débito com Santa Catarina. Em entrevista exclusiva ao Grupo ND, o parlamentar falou sobre os investimentos do governo federal no Estado e o futuro das rodovias federais.

Confira a entrevista na íntegra – Foto: WARLEY CABRAL/NDTV BRASÍLIAConfira a entrevista na íntegra – Foto: WARLEY CABRAL/NDTV BRASÍLIA

A conversa integra a programação da campanha ‘SC Não Pode Parar‘, um movimento da Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) e do Grupo ND.

Confira a entrevista na íntegra:

Deputado, qual o compromisso do senhor com a infraestrutura rodoviária federal em Santa Catarina?

Nós apoiamos o presidente Bolsonaro, eu acredito nesse governo, apoio esse governo. Como vice-líder da maioria e do meu partido (PSD), vice-líder da CCJ aqui em Brasília, mas no que diz respeito as rodovias federais, o Ministério da Infraestrutura está devendo para Santa Catarina.

Porque o orçamento dos últimos anos diminuiu, da BR-280, no Norte, da BR-470, 163, 285, 282… Então, essa é a nossa luta para aumentar o orçamento. O relator do orçamento é o Hugo Leal, do PSD, meu partido, e eu tenho interagido com ele, tratando deste tema.

Não está fácil porque estamos vindo de uma pandemia e que gastamos muito com vacina, auxílio emergencial, socorrendo a população brasileira. Agora, eu não posso deixar de parabenizar o governador Moisés, que acabou colocando mais de R$ 400 milhões dos cofres públicos do Estado nas rodovias federais.

Não é justo o que está acontecendo com as nossas rodovias e elas são fundamentais para o turismo, a economia e preservar as vidas. A nossa economia é basicamente pelo modal rodoviário, infelizmente. Em 2019, segundo dados da Receita Federal, Santa Catarina mandou para Brasília R$ 77 bilhões e voltou R$ 7 bilhões para o Estado.

Isso não é justo. Alguém está levando o nosso dinheiro. Estamos pagando a conta dos demais estados do Brasil. Por isso a importância de votarmos logo o chamado pacto federativo para que tenhamos uma distribuição mais equânime, justa com os municípios e, sobretudo, com os estados.

O senhor falou do retorno que não vem no mesmo volume. O que o deputado esta fazendo para mudar essa realidade?

Nós temos o projeto do pacto federativo que está no Senado e que precisa ser aprovado. Eu tenho reclamado e tratado deste tema junto com a Confederação Nacional das Indústrias, não só eu, mas os demais parlamentares.

Todos querem e principalmente o nosso Estado, que é o mais produtivo. Santa Catarina é um Estado pequeno, mas de excelência, produz muito e gera muito emprego, muita renda.

Não é justo que mande R$ 77 bilhões e receba R$ 7 bilhões, não é justo conosco. Neste quesito, o governo federal que nós apoiamos, está devendo para Santa Catarina. Nós, eu, não iremos sossegar enquanto não reverter esse jogo.

Então qual será a atitude prática do deputado daqui para frente?

Com relação às rodovias, estou tratando com o relator Hugo Leal, do Rio do Janeiro, que é do meu partido, para ver a possibilidade de aumentar o orçamento.

Temos tratado, também, através do fórum parlamentar com a nossa coordenadora, Angela Amin, que é a líder aqui. A pressão não é só minha, mas de todos os parlamentares que são muito unidos.

Mas, como eu disse, estamos saindo de uma pandemia, uma crise profunda econômica, mas continuarei lutando com todas as minhas forças e energias aqui em Brasília, com instrumentos jurídicos e parlamentares, para que possamos reverter essa situação, que é uma pena, porque estamos pagando uma conta dos demais estados, e não é justo conosco.

O senhor falou em pressão por parte dos parlamentares catarinenses. Mas, por que não está funcionando?

O pacto federativo há muitos anos nós temos falado nele e ele nunca andou. Está parado no Senado porque os estados deficitários não querem que ele ande. Esse é o primeiro ponto.

No momento em que o Brasil começou a andar bem nesse novo governo, que tem uma Câmara mais liberal, o primeiro ano que começou a andar, nós fizemos as reformas, privatizações, concessões, acabou a roubalheira aqui em Brasília, o país cresceu 1% do PIB e aí veio a pandemia.

Aí veio a crise energética, econômica e, agora, estamos em uma crise mais profunda ainda e, neste momento, as coisas ficaram difíceis. Mas, com a retomada da economia, que eu acredito muito, teremos condições de reverter esse jogo e esse cenário.

Sabemos que uma concessão, às vezes, funciona a exemplo das BRs 101 e 116. O senhor é contra ou a favor das concessões de rodovias federais?

Eu sou favorável às privatizações das empresas estatais porque foram fonte de muita roubalheira. No nosso governo, agora, estão todas dando lucro.

Eu sou favorável às concessões dos aeroportos, das rodovias e do pedágio. Não tenho medo de enfrentar esse tema e falar disso. Imagina como seria e estariam as condições das BRs 116 e 101 se não fossem pedagiadas.

Agora, nem todas as rodovias são viáveis economicamente para pedagiar. Então, aquelas que não são viáveis, o governo precisa subsidiar, pedagiar, dar a concessão, mas com subsídio.

É a única alternativa porque nenhum governo nem de centro, de esquerda ou direita cuida de forma correta das rodovias no Brasil, infelizmente é isso.

Há alguma emenda do deputado para socorrer as rodovias em Santa Catarina?

As nossas emendas não fazem nenhuma diferença nas rodovias. Imagina, nós temos R$ 16 milhões de emendas individuais. Aí das coletivas temos ajudado as rodovias. Mas, é muito pouco, isso não monta nem um canteiro de obras.

Nós estamos falando de um orçamento que tínhamos que ter R$ 200, R$ 300 milhões, meio bilhão. A BR-280, no Norte do Estado, tem um orçamento de R$ 60 milhões, isso é muito pouco.

Desta forma, iremos demorar mais oito ou dez anos para concluir a duplicação da BR-280, o que é um absurdo. Mas, continuaremos lutando e acreditando neste governo, no Ministério da Infraestrutura e acreditando no Brasil. Vamos reverter esse jogo.

Abaixo-assinado ‘SOS Rodovias’

Lançado no fim de novembro, o abaixo-assinado integra a campanha ‘SC Não Pode Parar‘, um movimento da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) em parceria com o Grupo ND.

A intenção é fazer desta mobilização a maior das rodovias federais em Santa Catarina. A adesão ao abaixo-assinado é gratuita.

Ao finalizar o preenchimento dos dados,  a plataforma exibe um banner de contribuição que não é obrigatória.

Portanto, é tudo de graça. Faça parte da campanha e ajude a exigir mudanças. Assine o documento aqui . Mais informações sobre a campanha acesse o site da Fiesc .

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BR-101 – SC não pode parar

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