Guilherme Fiuza

Jornalista e escritor que iniciou a carreira em 1987, no "Jornal do Brasil". Entre outras redações, trabalhou em "O Globo" e revista "Época". Escreve também sobre política para a "Gazeta do Povo".


A democracia da delinquência

A pandemia bagunçou tudo e essa resistência cenográfica está fazendo de tudo para afrontar o poder institucional com sua tirania sanitária

Lula é a alternativa democrática. Essa piada não é nova. Na eleição presidencial de 2018, o mesmo Lula – igualzinho ao de hoje, só que preso – era lambido por parte da elite intelectual brasileira como o polo democrático contra a escalada da candidatura Bolsonaro.

Ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva – Foto: Divulgacão/Paulo Alceu/NDEx-presidente Luis Inácio Lula da Silva – Foto: Divulgacão/Paulo Alceu/ND

Depois de roubar o povo por mais de uma década e ser condenado a mais de 20 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula aparecia naquelas intrigantes pesquisas de intenção de voto como candidato a presidente. Atrás das grades. Ainda tem gente no Brasil que acha graça na escola 171 de ascensão social. Lamentavelmente, picaretas escarrados como Lula ainda encantam uns bons punhados de malandros otários.

E a maior parte deles está na elite burguesa – essa que se armou de bom aparato educacional para tentar viver imune às leis, como Lula. E tentar exercer seu egoísmo com fachada de altruísmo, como Lula. Foi assim que parte do Estado brasileiro foi vendida a uma congregação de interesses particulares em nome da democracia, da justiça social e do humanismo.

Seria o crime perfeito, se não fosse tosco. Mas o senso comum hoje em dia também tem algo de tosco, senão a coreografia bizarra de Fachin para inocentar o maior ladrão do país não seria possível. O ministro do STF foi lá e melou todas as condenações do padrinho de sua madrinha. Ele disse que a 13ª Vara federal de Curitiba não era competente para julgar os processos que julgou.

Durante sete anos, quatro instâncias da Justiça brasileira disseram o contrário – inclusive o próprio STF. Mas Fachin não se encabulou. Meteu o bisturi na justiça que já estava feita, deitou o passado no centro cirúrgico e iniciou uma operação plástica na história.

Se isso é possível, tudo é – inclusive tratar Lula como saída democrática contra o fascismo. Que fascismo? O de Bolsonaro, que é hostil à imprensa e simpático à ditadura. Que ditadura? Bem, se o personagem em questão é presidente da República seria necessário encontrar em seu governo o autoritarismo de que é acusado – já que isso aqui não é um papo de bar.

Onde estão as práticas ditatoriais do governo federal? Mesmo contra a liberdade de imprensa? Estranho que em mais de dois anos um governo autoritário não tenha dado implantado nenhuma diretriz autoritária. Esses fascistas são tão maus que não fazem nem a vontade da resistência cenográfica louca por uma ditadura.

A pandemia bagunçou tudo e essa resistência cenográfica – através de governadores, prefeitos, tribunais e imprensa – está fazendo de tudo para afrontar o poder institucional com sua tirania sanitária que não tem ciência alguma e não salva vida de ninguém. Se os sinais foram trocados, realmente a esperança de democracia é Lula transformar o Brasil em Venezuela.

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