Guilherme Fiuza

Jornalista e escritor que iniciou a carreira em 1987, no "Jornal do Brasil". Entre outras redações, trabalhou em "O Globo" e revista "Época". Escreve também sobre política para a "Gazeta do Povo".


Investigações acima do golpe de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre

Brasil precisa investigar o que pode ter resultado no fracasso no golpe da dupla em buscar a reeleição de seus cargos públicos

O fracasso do golpe pela reeleição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre é um mistério. Quem traiu quem? A única certeza irremovível é que a conspiração estava prontinha – tanto que uma matéria inconstitucional foi à votação na corte máxima e teve votação apertada. O Brasil precisa investigar e punir os responsáveis por essa manobra obscura.

Investigações acima do golpe de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre – Foto: Divulgação/Paulo Alceu/NDInvestigações acima do golpe de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre – Foto: Divulgação/Paulo Alceu/ND

Tudo indica que a revolta do povo expressa nas redes sociais atrapalhou a manobra. Por quê é fundamental que se ponha tudo a limpo nesse episódio? Porque por trás dele está, por exemplo, o projeto da lei da mordaça – aprovada no Senado Federal e em tramitação na Câmara dos Deputados.

É uma iniciativa que visa justamente embargar a livre manifestação nas plataformas digitais – e assim abrir caminho para atropelos institucionais sem contratempos.

Sem o contraditório nas redes sociais fica mais fácil efetuar prisão de jornalista por meio de inquérito obscuro, interferir no poder Executivo decidindo sobre a chefia da Polícia Federal, determinar bloqueio da ação policial em favelas e outros arroubos. A atual direção do Congresso Nacional é parceira – em ação e em omissão – desses excessos da corte máxima.

Corte essa que decidiu que o condenado pode ser preso após sentenciado em segunda instância e três anos depois decidiu que o condenado não pode ser preso após sentenciado em segunda instância – interpretações opostas da mesma Constituição que, como se viu na tentativa de golpe para a reeleição de Maia e Alcolumbre, é só um adereço para a imaginação prodigiosa de suas excelências togadas.

Elas obrigam plataforma de rede social a banir contas e censurar pessoas, com a cobertura discreta do Congresso e especialmente do Senado, que tem a função de rever condutas impróprias dos ministros do STF e nada faz. Ou nem tão discreta assim em coreografias como a da famigerada CPMI das Fake News, com seus shows patéticos de acusações fantasiosas – na montagem da tese mirabolante do gabinete do ódio que serve justamente para sancionar ações de censura contra os usuários das redes e embasar o projeto autoritário da lei da mordaça.

Por isso era essencial atropelar a Constituição para reeleger Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre – afinal, a dobradinha para tentar botar a opinião pública em rédea curta estava indo bem.

A sucessão da dupla precisa ser decidida a partir de uma reação clara e firme à tentativa de golpe que visava perpetuá-los inconstitucionalmente em seus cargos.

É preciso no mínimo constranger aqueles que pretendem continuar a manobra antidemocrática de asfixia dos desejos da população – hoje atacados nas cúpulas desses dois poderes como “milícias digitais”.
A sucessão na Câmara e no Senado tem que ser vacinada contra a politicagem de Maia e Alcolumbre.