Rodrigo Constantino

Ele se define como "um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda politicamente correta".


Mentiras como contraponto em debates políticos

Como manter um debate político, se ouço mentiras como contraponto? Como enfrentar a desonestidade intelectual?

Estudei por muitos anos num colégio católico do Rio de Janeiro. Infelizmente, o São Vicente de Paulo da minha época (eu me formei em 1983) era dominado pela Teologia da Libertação. Vários professores, principalmente os de História e Geografia, trabalhavam incansavelmente pela doutrinação dos alunos.

Mentiras como contraponto em debates políticos – Foto: Pedro França/Agência Senado/NDMentiras como contraponto em debates políticos – Foto: Pedro França/Agência Senado/ND

Rebatê-los, quando defendiam, por exemplo, a União Soviética, “o paraíso na Terra”, exigia coragem, pela ameaça à autoridade em sala de aula e porque isso representava sério risco de o boletim vir com uma nota vermelha.

Eu não me calei, enfrentei as mentiras, que percorriam os séculos, Revolução Francesa, Revolução Cultural Chinesa… Cuba era a referência positiva mais próxima! Che Guevara, um humanista. O “imperialismo” americano seria vencido, assim como o regime militar no Brasil.

E a maior mentira em relação a esse período do nosso país, que tantas vezes ouvi nas salas de aula do velho “São Viça”, ainda está por aí, sendo repetida por professores e políticos de esquerda.

Pois bem, não era por democracia que lutavam os guerrilheiros comunistas do Brasil, o que eles queriam era outro regime autoritário: a Ditadura do Proletariado.

A pergunta que trago é: como manter um debate político, se ouço mentiras como contraponto? Como enfrentar a desonestidade intelectual? Como aceitar que abandonem o mundo real?

Sim, porque, no mundo imaginário da esquerda, as narrativas podem ser repetidas mil vezes, mas não são capazes de transformar em socialistas os países nórdicos. Eles são, no máximo, social-democratas.

Podem se dar a esse “luxo” porque se desenvolveram e acumularam riquezas, apostando por cerca de cem anos no livre mercado e numa indústria forte. No ranking mundial de liberdade econômica, estão entre os primeiros.

Outra que ouvi esses dias: “as mulheres encontram barreiras para seguir carreira política no Brasil”. Era uma defesa da patética cota obrigatória de 30% de mulheres entre os candidatos de todos os partidos políticos em eleições proporcionais.

Então, talvez seja o caso de propor também cotas para mulheres nos cursos de engenharia e de homens nos cursos de nutrição, fisioterapia… Adianta dizer que tivemos uma mulher presidente, eleita e reeleita?

Uma mulher pode até se candidatar pelo Partido Comunista do Brasil, representante de um regime que matou 100 milhões de pessoas pelo mundo, e mesmo assim virar prefeita de uma capital importante.

Os absurdos me perseguem: “Black Lives Matter é um grupo pacífico e democrático”. O STF (logo ele) “conteve arroubos autoritários do Governo Bolsonaro”. “As leis trabalhistas brasileiras não prejudicam a geração de empregos”…

Quando o presidente da Câmara dos Deputados pede desculpas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, eu queria que pedisse desculpas ao Brasil. E o que volta como “contraponto”? “Rodrigo Maia é um grande líder”. Não, não é. Rodrigo Maia é apenas rechonchudo.