Laudelino Sardá

Causos da Ilha, seus personagens, histórias e momentos do cotidiano de Florianópolis com quem conhece os cantos da Capital de Santa Catarina.


Miséria cultural

Ah, e do seu Cascaes, o Francolino da Magia. Com certeza, a pesquisa comprovaria a omissão do poder público, de escolas e outras instituições

Uma pesquisa poderia revelar o percentual de catarinenses que já ouviu falar de Anita Garibaldi, de Victor Meirelles, que pintou a 1ª missa celebrada no Brasil; de Fritz Plaumann, criador do maior museu de insetos do mundo; de Fritz Müller, parceiro de Darwin na teoria da evolução; da Guerra do Contestado, a primeira a usar avião no mundo, em 1915; dos escritores.

Casa típica colonial luso brasileira de 1711 onde estão expostos painéis com a saga de Anita Garibaldi, em Laguna – Foto: Fundação Lagunense de Cultura/DivulgaçãoCasa típica colonial luso brasileira de 1711 onde estão expostos painéis com a saga de Anita Garibaldi, em Laguna – Foto: Fundação Lagunense de Cultura/Divulgação

Ah, e do seu Cascaes, o Francolino da Magia. Com certeza, a pesquisa comprovaria a omissão do poder público, de escolas e outras instituições. E qual a razão de o Estado, detentor da melhor qualidade de vida do país, ignorar a sua própria cultura? Ora, a Alemanha, antes da 2ª Guerra, escondeu a sua riqueza histórica e cultural. Aqui não precisamos de guerra; basta um projeto modernoso para destruir patrimônios.

Aliás, se a heroína Anita Garibaldi fosse alemã, o bicentenário do seu nascimento, no próximo dia 30 de agosto, já teria repercussão mundial, atraindo turistas para festejos. Aqui, datas, acontecimentos e nomes importantes não têm espaço na memória, como se o Estado pudesse dispensar a cultura e história como alicerce da energia humana. O centenário da Guerra do Contestado passou em branco, ignorado pelo Estado.

Ora, se nada falta em cenários e acervo para SC avigorar a sua cultura e história, o que está emperrando, já que o problema não é financeiro (apenas) e sim a ausência de política pública? Cada cidade tem uma emocionante história e a soma renderia uma identidade bem mais rica, atraente e capaz de integrar os catarinenses.

Por que essa deslembrança, omissão, esse desleixo? Por que só uma credencial partidária dá acesso a cargos na cultura, turismo e educação? O governador precisa ser o apaixonado n.1 pela nossa cultura, como foram Jorge Lacerda e Konder Reis e raros outros. SC precisa vencer a miséria cultural.

Enquanto isso na Cachoeira do Bom Jesus

– Venanço, a tal de Anita Garibaldi é mesmo catarinense?

– Claro que é, Lelo. Ela nasceu na Laguna e lutou em muitas guerras.

– Mas por que será que a gente não conhece nada isso?

– Lelo, nem nós nem muita gente aí sabe de nada. Nem as escolas sabem que Anita faz dois séculos em agosto agora. Só Laguna.

– E tu achas que o Moisés sabe disso, Venanço? – Ah, Lelo, nem a Daniela.

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