Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.


Nome de Mourão assombra Castro e Bolsonaro no Rio, mas presidente pode lucrar

A despeito das rusgas com o vice, ambos podem se unir por um projeto eleitoral no Estado fluminense

Terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, o Estado do Rio de Janeiro – segunda residência do presidente Jair Bolsonaro – voltou ao foco nas conversas eleitorais dentro do Palácio do Planalto para 2022.

O governador neófito Cláudio Castro (PSL) não tem garantia do apoio do presidente – e pelo constatado nas últimas semanas, tampouco quer.

Castro temia que Bolsonaro lançasse alguém. Isso, há meses. Mas o desgaste da imagem do presidente o tranquilizou. A Coluna já citou que o presidente pode lançar ao Governo um nome 100% bolsonarista, como o deputado Hélio Negão.

Os pontos eleitorais a favor do governador Castro são a retomada de investimentos com dinheiro da privatização da CEDAE (como a volta do teleférico do Alemão, citado pela Coluna), e a rejeição ao potencial adversário Marcelo Freixo no meio evangélico, muito forte na urna.

A novidade para estes grupos políticos é que a meteórica ascensão eleitoral do vice-presidente General Mourão nas pesquisas fluminenses chama a atenção.

A despeito das rusgas discretas entre eles, Mourão e Bolsonaro se falam, e pela ordem num Rio que passeia pelas páginas policiais há anos, podem se unir em torno do nome do militar – mesmo que o presidente não participe da sua campanha eleitoral.

Caso entre na disputa, como querem muitos apoiadores, Mourão tem até 151 dias antes do pleito (maio de 2022) para transferir o domicílio eleitoral de Brasília para o Rio.

Já por outro lado, o principal aliado de Lula da Silva no Estado, Washington Quaquá defende a articulação de diferentes palanques para o petista, inclusive o de Castro contra Bolsonaro.

Bloqueio digital

O destino de Jefferson será o mesmo do deputado federal Daniel Silveira, em breve: em casa com tornozeleira e sem redes sociais.

Sabe onde pisa

A filha Cristiane Brasil visitou ontem Jefferson na cadeia na condição de advogada. Levou um bilhete dele a uma amiga, em que num trecho cita isso: “Hoje somos nós, amanhã serão outros, mas este amanhã depende do nosso hoje”. Jefferson foi preso pela PF por ameaças ao Poder Judiciario e a togados, além de incentivar violência por meio de armas em vídeos nas redes sociais.

Approach

A Embaixadora Cláudia Buzzi, chefe da Assessoria Especial de Relações Federativas e com o Congresso Nacional (AFEPA), foi na quarta-feira pela primeira vez à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, desde que assumiu o cargo, com a posse de Carlos França. Mas seu desempenho foi criticado pelos colegas.

Boiando

Segundo alguns parlamentares, a AFEPA não acompanha a tramitação dos acordos internacionais, não dialoga com mandatários e sequer articula a relatoria de mensagens e projetos de interesse do Itamaraty. Carlos França teria sido “obrigado” a mantê-la no cargo por indicação da senadora Kátia Abreu, que presidente a comissão no Senado.

Apoio estrangeiro

O Projeto do deputado Arthur Oliveira Maia que cria o Fundo Nacional de Apoio à Repatriação de Brasileiros no Exterior, por exemplo, conta com a rejeição do Itamaraty e caberia à AFEPA discutir com o deputado a sua apresentação, mas até agora, ninguém o procurou. Ele já apresentou substitutivo pela aprovação e, se passar, o Itamaraty terá de remanejar orçamento já que não há previsão para esse tipo de despesa.

Má hora

E isso tudo ocorre em meio à crise política-humanitária no Afeganistão. O Governo federal não tem ideial de quais e quantos são os brasileiros que possam estar em perigo.

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