Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.


Nomeação de Paulo Sérgio mostra que Exército não cederá a Bolsonaro

General foi pivô da irritação do presidente que motivou troca do alto comando militar

A nomeação do general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira para o comando do Exército é um recado claro da maior força militar do Brasil de que não cederá a discurso político ou caprichos ideológicos do chefe da nação.

Avalizado por toda a cúpula – os outros generais veteranos foram consultados e aprovaram – Paulo Sérgio foi justamente o pivô da irritação do presidente, que motivou a troca do alto comando militar das Forças.

Ele concedeu uma entrevista, há dias, na qual previa o Exército preparado para uma terceira onda do Covid-19. Bolsonaro foi obrigado a ceder à escolha dos generais para o comando, para evitar a maior crise de seu Governo.

Coluna já publicou que os mais de 300 quartéis, os chamados Tiros de Guerra, estão à disposição de governos estaduais e prefeituras para ajudar na vacinação há meses.

Os TGs – garotada de 18 anos em serviço – sempre ajudaram municípios nas campanhas de vacinação. Desta vez não foram convocados porque prefeitos e governadores querem lucrar eleitoralmente com a vacina salvadora.

Óbitos

Coluna passeou pelo Portal da Transparência do Registro Civil do Brasil e constatou algo curioso.

Obviamente, os óbitos cresceram de 2019 (1.265.595) para 2020 (1.454.324), com alta de 14,9% puxados pela pandemia. Mas os nascimentos no ano passado recuaram 6,3% em relação a 2019. Foram 2.602.907 novos brasileirinhos e 2.774.310 no ano de 2019.

No ritmo que os registros de nascimentos surgem no primeiro trimestre deste ano (336.771), pode haver novo recuo em relação ao total de 2020. Em suma, o casal brasileiro está mais cauteloso quando o assunto é filho.

Em dívida

O presidente Bolsonaro está devendo um ministério para o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS). Foi o primeiro médico político e abraçar a causa do negacionismo e defendê-lo em seu erro de apostar numa gripezinha sobre o Covid-19. Terra se reuniu com o presidente na terça-feira. Desde que foi exonerado do poderoso Ministério da Cidadania, Terra ronda o Palácio atrás de uma cargo na Esplanada.

 

Doria na fila

A vacina Butanvac contra o Covid-19, anunciada pelo governador de São Paulo, João Doria Jr, mantém sua posição no cenário nacional a contragosto de quem aponta que ele perde espaço na disputa presidencial com a esperada polarização Bolsonaro x Lula da Silva. Doria já é apontado como aposta para terceira via.

Não é de hoje

O presidente da República distribuiu nos primeiro e segundo escalões de todos os ministérios, autarquias e estatais oficiais de sua confiança. Criou assim uma gestão sem igual na História do Brasil. Temos hoje um governo civil, controlado por militares. Por ora, é a tática de levar para cargos importantes pessoas de confiança. E só.