Nova manifestação pró-governo Bolsonaro deve acontecer neste sábado

Atos devem ocorrer em cidades de todo o País

Grupos que apoiam o presidente Jair Bolsonaro realizam neste sábado (15), uma nova mobilização em defesa do governo. Entre os apoiadores, estão representantes de entidades ligadas a ruralistas, evangélicos e caminhoneiros.

Estão previstos atos em Brasília, São Paulo, Rio, Curitiba, Niterói, Fortaleza, Balneário Camboriú, entre outras cidades. Bolsonaro confirmou a participação na concentração em Brasília e prometeu levar ministros.

Manifestação pró-Bolsonaro em Criciúma no dia 1º de maio – Foto: Divulgação/ Eduardo ShaucoskiManifestação pró-Bolsonaro em Criciúma no dia 1º de maio – Foto: Divulgação/ Eduardo Shaucoski

Três pautas devem ser levantadas no ato: críticas a medidas de isolamento social decretadas por governos locais, críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal), e a defesa do voto impresso.

A adesão de integrantes do agronegócio ao ato não foi unânime. A bancada ruralista no Congresso, por exemplo, não apoia a manifestação – dirigentes da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) não responderam a questionamentos da reportagem. Mas quase 200 entidades de produtores rurais que compõem o Movimento Brasil Verde e Amarelo convocaram os atos deste sábado.

O movimento aderiu a um ato denominado Marcha da Família Cristã pela Liberdade, convocado por grupos religiosos para coincidir com o Dia Internacional da Família. Inicialmente, os ruralistas pretendiam realizar um ato pró-Bolsonaro em 21 de abril, mas, à época, foram desestimulados pelo próprio governo federal diante do avanço do coronavírus.

Manifestação pró-Bolsonaro em Blumenau no dia 1º de maio – Foto: Fábio Bublitz/NDTVManifestação pró-Bolsonaro em Blumenau no dia 1º de maio – Foto: Fábio Bublitz/NDTV

“Qualquer atitude que possa comprometer essa luta de todos contra essa maldita doença, esse maldito vírus seria prejudicial. Prejudicial à imagem do presidente e à imagem do agronegócio”, disse, mês passado, o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), da Presidência, General Augusto Heleno, que defendia um protesto por escrito.

A declaração foi dada por Heleno em vídeo gravada ao lado do secretário de Assuntos Fundiários da Presidência, Nabhan Garcia, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Antonio Galvan.

Procurado pelo Estadão, Galvan não quis dar entrevista, mas a Aprosoja (Associação Brasileira de Produtores de Soja) informou que apoia a realização do protesto deste sábado.

Além da Aprosoja, integram o movimento a Andaterra (Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra) e a Sincal (Associação dos Cafeicultores do Brasil). Esses sindicatos estão vinculados à federações da CNA.

De acordo com Jeferson Rocha, diretor jurídico da Andaterra, que integra o Movimento Brasil Verde e Amarelo, os manifestantes avaliam que, como a vacinação contra a covid-19 alcançou a população idosa, é viável realizar o ato agora em maio. Ele diz que serão seguidos protocolos sanitários, mas que cada manifestante está ciente dos riscos que corre.

“É evidente que o ideal seria fazer um manifesto por escrito ou uma mobilização pela internet. No entanto, nós entendemos que só a pressão popular pode reverter esse estado de coisas”, afirmou. “Ninguém é irresponsável de negar a existência (do vírus) ou de negar o uso de medidas protetivas, então todos têm que seguir os protocolos e tomar esses devidos cuidados”, ressaltou. “Mas é claro: todos que vêm para cá estão tomando ciência, sabendo dos riscos, inclusive, a que se expõe. Isso é uma exposição, mas alguém tem que lutar, alguém tem que fazer alguma coisa”, concluiu. Ele defende a visão de que algumas medidas de distanciamento causam prejuízo maior que a pandemia.

Ainda que Bolsonaro não tenha apoio de todo o eleitorado evangélico, o ato deste sábado, de acordo com organizadores, também é uma resposta à decisão tomada pelo STF em abril no sentido de deixar que governadores e prefeitos proíbam, por meio de decreto, a realização de missas e cultos presenciais durante a pandemia.

Combustíveis

Aliados próximos do presidente, como a deputada federal Carla Zambelli (PSL), também confirmaram a participação. De acordo com Claudinei Pelegrini, presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos de São Paulo, haverá também a presença da categoria, que visa pressionar o governo do Estado a reduzir o ICMS dos combustíveis.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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