Guilherme Fiuza

Jornalista e escritor que iniciou a carreira em 1987, no "Jornal do Brasil". Entre outras redações, trabalhou em "O Globo" e revista "Época". Escreve também sobre política para a "Gazeta do Povo".


O bom senso se absteve nas eleições municipais de 2020

A abstenção nas eleições municipais foi a mais alta em duas décadas no segundo turno. Tanto a abstenção dos eleitores quanto a dos bons candidatos

A abstenção nas eleições municipais foi a mais alta em duas décadas no segundo turno. Tanto a abstenção dos eleitores quanto a dos bons candidatos. O que mais se ouviu por aí foi “votar em quem?”

O bom senso se absteve nas eleições municipais de 2020 – Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE/Divulgação/NDO bom senso se absteve nas eleições municipais de 2020 – Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE/Divulgação/ND

É o velho dilema Tostines, adaptação que algum marqueteiro fez daquela dúvida mais velha ainda sobre o ovo e a galinha: o eleitor não foi votar porque os candidatos eram ruins, ou os candidatos eram ruins porque os bons não quiseram se oferecer a um eleitorado desiludido e pouco disponível para candidatos em geral?

Difícil dizer. Em São Paulo, por exemplo, uma das grande polêmicas entre eleitores não-militantes foi se valia a pena barrar um demagogo politicamente correto simpatizante de Lula votando num demagogo politicamente correto guiado por Dória.

Na verdade, todo demagogo politicamente correto dá pelo menos uma piscadinha de olho para Lula, porque é assim que se bajula a MPB e outros faróis da resistência cenográfica.

“Mas Covas pelo menos não é Boulos”, entreouviu-se no tormento eleitoral. Quem disse que não é? Aqui vai a modesta opinião deste signatário: Covas é o verdadeiro Boulos.

Quem soldou portas de comércio como se estivesse na União Soviética dizendo que isso era para o bem do povo? Não pode ter sido o neto do grande democrata Mario Covas. Só pode ter sido o Boulos.

Quem trocou luzes de pare/siga no trânsito de São Paulo por imagens de punho cerrado, em apoio a um movimento que diz se importar com vidas negras para sair quebrando tudo e fazendo politicagem?

Nenhum prefeito sério no meio de uma pandemia faria isso – só pode ter sido pantomima do Boulos com seus coleguinhas acostumados a avacalhar o patrimônio público.

Para continuar examinando as estirpes: ACM Neto fez o sucessor em Salvador – depois de submeter a população de uma das cidades mais livres e charmosas do mundo a um regime de exceção brutal, caçando cidadãos nas lendárias praias que inspiraram a arte de Dorival Caymmi e Jorge Amado.

Nem seu avô, conhecido como Toninho Malvadeza, ousou utilizar medidas sanitárias como pretexto para descer o sarrafo no povo da Cidade da Bahia. Entendeu a abstenção (ou seria subtração) da democracia?

E por aí foi esse Brasil aturdido, reelegendo Alexandre Kalil em primeiro turno em Belo Horizonte e fazendo o mesmo com Rafael Greca em Curitiba.

Em outros tempos, Greca foi um bom prefeito e Kalil um dirigente lendário do Atlético Mineiro. Na pandemia, os dois saíram tomando as famigeradas medidas de lockdown radical, que os estudos de Harvard já demonstraram por comparativo estatístico não terem poupado a vida de ninguém.

Adivinha o que esses tiranetes vão tentar fazer com você (de novo) a partir de agora, Brasil…