Rodrigo Constantino

Ele se define como "um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda politicamente correta".


O encontro da oposição

A narrativa tem sido repetida diariamente por uma imprensa militante que também faz oposição ao atual governo

Deputados de partidos da oposição se reuniram esta semana com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Edson Fachin, para “prestar solidariedade” à Corte frente às recentes críticas do presidente Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral brasileiro.

A reunião foi solicitada pelo líder da minoria, deputado Alencar Santana (PT-SP), e pelo líder da oposição, Wolney Queiroz (PDT-PE). O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PSD-AM), também participou do encontro.

Presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Edson Fachin Foto: Carlos Moura/SCO/STFPresidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Edson Fachin Foto: Carlos Moura/SCO/STF

“Pedimos esta reunião porque atravessamos um momento delicado, onde ameaças são feitas ao processo eleitoral, inclusive com o estímulo ao uso de armas. Devemos estar preparados para o pior cenário para que possamos reagir em defesa da democracia, se necessário. Mas, felizmente, o TSE tem sido muito firme e confiamos no sistema eleitoral brasileiro”, disse Santana.

A narrativa tem sido repetida diariamente por uma imprensa militante que também faz oposição ao atual governo. É nesse ambiente que bizarrices assim são tratadas como não só normal, mas louvável.

O Estadão chegou a escrever um editorial elogiando a postura “irretocável” do TSE no esforço de esclarecimento do processo eleitoral e no combate aos “ataques” de Bolsonaro e seus “camisas pardas” – devem ser os milhões de patriotas de verde e amarelo que foram às ruas pacificamente pedir respeito à Constituição e transparência nas urnas.

Estão todos tão investidos num discurso absurdo que passaram a fingir que, de fato, o sistema tem se unido para barrar aventuras golpistas do presidente, enquanto todos sabem se tratar de uma conspiração dessa própria turma para tentar derrubar o presidente eleito ou impedir sua reeleição.

Um marciano que chegasse ao Brasil hoje jamais poderia considerar aceitável um presidente do TSE que se encontra com opositores para, juntos, demonizarem o presidente que disputa uma reeleição.

Precisam fingir que as Forças Armadas tampouco apresentaram inúmeras sugestões para a melhoria do processo eleitoral opaco, que foram tratadas como meras “opiniões” pelo TSE e logo rechaçadas. Ora a imprensa diz que os militares são capachos do “golpista”, ora alega que estão unidos ao STF e ao TSE para “preservar a democracia”. Mas os militares são, talvez, a última esperança do povo patriota, cansado de ver o STF agindo como partido de oposição.

As manchetes dos jornais davam que Fachin se encontrou com a oposição, mas isso é redundância. Foi um encontro da oposição, ponto. E não é nada normal ter um TSE agindo como oposição a um dos candidatos. Não custa lembrar que Fachin foi garoto-propaganda de Dilma e é simpatizante do MST. É com isso que estamos lidando aqui, e é simplesmente surreal demais!

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