Rodrigo Constantino

Ele se define como "um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda politicamente correta".


O Marginal Revolucionário

A Escola de Frankfurt ajudou muito a disseminar essa ideia. Já que os proletários não desejavam fazer a revolução, e sim obter melhores condições de trabalho no capitalismo

O artista plástico Hélio Oiticica pintou uma tela chamada “Seja Marginal Seja Herói”. Não é de hoje que comunistas flertam com a romantização do bandido, visto como uma espécie de revolucionário contra o “sistema”.

A Escola de Frankfurt ajudou muito a disseminar essa ideia. Já que os proletários não desejavam fazer a revolução, e sim obter melhores condições de trabalho no capitalismo, restava aos que desejavam implodir o sistema convocar todos os marginalizados como instrumentos de sua revolução.

“Não é de hoje que comunistas flertam com a romantização do bandido, visto como uma espécie de revolucionário contra o ‘sistema'” – Foto: Divulgação/ND“Não é de hoje que comunistas flertam com a romantização do bandido, visto como uma espécie de revolucionário contra o ‘sistema'” – Foto: Divulgação/ND

O canadense Mathieu Bock-Côté assim explica as transformações da esquerda nos anos 60: “A fúria da desconstrução é uma fúria destruidora, de homens que se deixam apanhar por uma fantasia de onipotência demiúrgica e que querem fazer o mundo recomeçar do zero. Somos aqui as vítimas da utopia de 1968, que deverá um dia ser considerada pelo que realmente foi: uma terrível fantasia regressiva, que busca devolver à humanidade sua pureza virginal, a pureza de uma infância ainda não corrompida pela lógica do mundo adulto e das instituições”.

No afã de recomeçar o mundo do zero, para pintar na tela em branco suas “lindas” ideias igualitárias, esses comunistas não se importam de enaltecer bandidos, pois eles ao menos estão destruindo o que “precisa” ser destruído.

É com base nisso que a petista Marcia Tiburi chegou a ver “lógica” no assalto. E foi com essa mesma mentalidade que David Coimbra, na rádio Gaúcha, conseguiu elogiar os terroristas urbanos que espalharam o caos em Criciúma recentemente.

“Esses assaltantes de Criciúma têm respeito pelos cidadãos”, disse o comentarista. “Existe uma filosofia no assalto deles”, acrescentou.

“É verdade que teve um policial que levou um tiro, mas se não tivesse uma intervenção, tudo teria saído numa boa”, comentou ao transferir a culpa para a vítima, que tentava impedir o roubo. “Dão uns tiros, é verdade, tem bomba, mas eles fazem aquilo ali só para pegar o dinheiro do banco, não é algo contra o cidadão… eles até deram dinheiro para as pessoas”, completou.

Eis aí a tal “lógica” do assalto: os bandidos eram organizados e miravam no dinheiro do banco, como se não fosse da população, e como se tirar dos “ricos” à marra fosse um direito.

É a visão de Robin Hood distorcida. Coimbra chegou a mandar um recado para outros marginais: “Estou agora falando para você, que é bandido. Tome consciência e seja como os caras de Criciúma, que respeitam a população. A ação tem que ser para outros alvos, e não o pobre, trabalhador”.

A fala repercutiu muito mal, e anunciantes romperam contratos com o grupo RBS. A criminalidade descontrolada no Brasil, a ousadia dos marginais, a sensação de impotência da população desarmada, tudo isso não é por acaso, fruto do improviso, mas sim o resultado inevitável de décadas de esquerdismo radical na academia e na mídia.