Cacau Menezes

Apaixonado pela sua cidade, por Santa Catarina, pelo seu país e pela sua profissão. São 45 anos, sete dias por semana, 24 horas por dia dedicados ao jornalismo


O tempo em que ser de direita ou de esquerda fazia sentido no Brasil

Sinto saudades

Esperidião Amin, Leonel Brizola e Jailson Barreto na mesma mesa no Palácio da Agronômica civilizadamente – Foto: ArquivoEsperidião Amin, Leonel Brizola e Jailson Barreto na mesma mesa no Palácio da Agronômica civilizadamente – Foto: Arquivo
Multidão de direita esquerda junta em Florioa sem confusão – Foto: ArquivoMultidão de direita esquerda junta em Florioa sem confusão – Foto: Arquivo

Houve um tempo em que ser de direita ou de esquerda fazia sentido no Brasil. Primeiro porque todos eram preparados. Entrar no Antonio ‘s no Rio e encontrar um Tarso de Castro com Tom Jobim secando um litro de uísque por dia,  era como encontrar o Canga na Kibelândia em Floripa. Direita e esquerda eram mais requintadas. Até bebiam juntas. Picasso pintava Guernica, era a esquerda, Franco autorizava o bombardeio, era a direita. A esquerda sonhava e a direita executava. A esquerda inspirava e a direita materializava. A direita pagava o salário e a esquerda fazia a greve. Hoje, a coisa está rala. Chata, opaca e carrancuda. Bendito os pés que dançavam nos salões. Fossem nos acordes do Último Tango em Paris. Ou fossem nas batidas de Saturday Night Fever. A turma de hoje  precisa comer muita canjica. Estão longe do que já foi o auge.
A esquerda daquela época em Floripa não era chata e nem limitada como hoje.  Salim Miguel, Vilson Rosalino, Eglê  Malheiros, Francisco Ferreira, Murilo Pirajá Martins, Rodrigo de Haro, Rômulo Coutinho de Azevedo, Nelson Wedekin,  Jurandir Camargo, Hamilton Alexandre, o  Mosquito,  Oldemar Olsen, Didi, comunistas históricos,  alegres, gozadores,  preparadíssimos, sabiam de cinema, literatura, praia, maconha,  pó, música… não ficavam reclamando, eram criativos,  inventavam,  produziam, frequentavam os mesmos lugares de Jorge Bornhausen e outros lideres de direita da mesma época, faziam exposições de artes, de pipas,  festivais, congressos de  estudantes de medicina, enfim, era uma coisa muito forte, muito boa ,  como foi em Paris em 68, nos movimentos na rua, e  a Tropicália no Brasil, por exemplo.

 Esquerda  ativa, queria o poder para melhorar o país. Não perderiam tempo discutindo cloroquina,  nem aceitavam ordens ou reuniões com ministros do STF. Que, aliás, ninguém conhecia pelos nomes. Sinto saudade de todos.

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