Rodrigo Constantino

Ele se define como "um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda politicamente correta".


O verniz da democracia

É uma guerra mesmo, com direito a facada e tudo, que Dirceu, em ato falho ou descuido, chamou de “nosso erro”

Clausewitz dizia que a política é a continuação da guerra por outros meios, e ele tinha um ponto. Filipe G. Martins, assessor da Presidência, resgatou os ensinamentos do general prussiano para analisar o que o bolsonarismo representa para o sistema, que está claramente em guerra contra o presidente eleito.

Guerra contra Bolsonaro – Foto: PixabayGuerra contra Bolsonaro – Foto: Pixabay

“A política normalmente se reveste de um manto de civilidade que, apesar de estar brutalmente distante da realidade e talvez justamente por isso, serve apenas para encobrir sua verdadeira natureza e impedir que as pessoas comuns enxerguem além das aparências e externalidades”, explica Martins.

A tese de Martins é que Bolsonaro, um outsider, expôs a verdadeira face oculta do sistema, rasgando o véu das aparências. Por trás das máscaras de civilidade há muita dissimulação, mentira e jogo sujo. É uma guerra mesmo, com direito a facada e tudo, que Dirceu, em ato falho ou descuido, chamou de “nosso erro”.

Para Martins, a vitória de um outsider “só ocorre quando ele é capaz de remover o véu e expor publicamente a violência e a feiura escondidas por trás dessa tática de ocultação”.

Ele conclui: “É hora de escancarar as entranhas do poder e exibir toda a podridão daqueles que agem e falam como se fossem a voz da moderação, da razoabilidade e da defesa da democracia. Isso não será feito com notas e tapinha nas costas, mas com a exposição nua e crua da realidade.”

Essa sequência de mensagens veio a reboque de novas rodadas de decisões arbitrárias, como a busca na casa do cantor Sérgio Reis e do deputado Otoni de Paula. “Então descobriram que Sérgio Reis é um revolucionário, praticamente um Lenin do sertão”, ironizou o deputado Paulo Eduardo Martins, para em seguida prestar solidariedade ao seu colega da Câmara e lembrar que ele tem imunidade parlamentar para qualquer opinião. Tinha, na verdade!

Essa coisa de imunidade material parlamentar, muito bem explicada e defendida em livro de Alexandre de Moraes, o constitucionalista, não existe mais por decisão de… Alexandre de Moraes, o ministro supremo.Ministros do STF e do TSE seguem agindo ao arrepio da lei, intimidando, perseguindo, criando crimes novos do nada, sem respaldo jurídico.

Enquanto isso, a CPI circense abre o sigilo de vários conservadores sem qualquer indício de crime também. Barroso chega a falar que a liberdade de expressão não engloba falas “anticientíficas”, seja lá o que isso significa para quem considera o médium João de Deus alguém “transcendente”.

Barroso, o homem iluminado da ciência, vai proibir falas a favor da ideologia de gênero, por acaso? Ou homem que acha que é mulher vira mesmo mulher e a biologia não existe mais?Está claro que vivemos um estado policialesco. Hoje é contra a direita, mas amanhã será qualquer um que esses ministros quiserem perseguir. Não há mais verniz de democracia em atos escancarados de censura. O sistema está exposto.

Loading...