Esplanada

Leandro Mazzini é jornalista, escritor e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. Iniciou carreira em 1994 e passou pelo Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Correio do Brasil, Agência Rio, entre outros. O blog é editado por Mazzini com colaboração de Walmor Parente e equipe de Brasília, Recife e São Paulo.


Partidos miram as vice-presidências da Câmara e do Senado

Em caso de vitória de Arthur Lira, PSL e PL disputam a cadeira

Além da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, a disputa hoje vai definir os ocupantes de cargos-chave nas duas casas. Em caso de vitória de Arthur Lira (PP-AL), a primeira vice-presidência da Câmara está sob disputa entre o PSL e o PL.

Já no Senado, MDB e PSD querem ocupar a primeira vice-presidência. Foi a negociação do cargo que levou o MDB a abandonar Simone Tebet (MDB-MS). Já o PSD foi a primeira bancada no Senado a declarar apoio à candidatura de Rodrigo Pacheco.

Planalto apostou todas as fichas em Lira e Pacheco e abriu um balcão de negociação de cargos e emendas em troca de voto – Foto: Divulgacão/Paulo Alceu/NDPlanalto apostou todas as fichas em Lira e Pacheco e abriu um balcão de negociação de cargos e emendas em troca de voto – Foto: Divulgacão/Paulo Alceu/ND

O Planalto apostou todas as fichas em Lira e Pacheco e abriu um balcão de negociação de cargos e emendas em troca de votos. Vencer na Câmara, principalmente, representa para o Governo abater o plano de Rodrigo Maia (DEM-RJ) de construir uma frente suprapartidária para tentar frustrar a reeleição de Bolsonaro em 2022.

Líderes governistas, assessores do Planalto e ministros mobilizaram a máquina federal para atender parlamentares e interferir na sucessão das duas Casas.

A operação foi bem sucedida, avaliam auxiliares de Bolsonaro. Na Câmara, apesar de partidos terem fechado com Baleia Rossi (MDB-SP), deputados dissidentes mantêm votos que podem selar a vitória de Arthur Lira (PP-AL).

Rifada

No Senado, a candidata Simone Tebet (MDB-MS), rifada pelo próprio partido, vai para a disputa – para marcar posição -, como candidata independente. O bloco de Pacheco, chancelado pelo Planalto e que tem apoio até da oposição, soma mais de 41 votos – número necessário para a eleição do democrata.

Música

Os discursos de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) soam como música para o Planalto. Ambos são críticos à abertura de impeachment e já avisaram que vão barrar CPIs que possam constranger o Governo.

Listas

Fechadas com Baleia Rossi (MDB-SP), as bancadas do DEM e Solidariedade podem mudar de lado hoje. Deputados preparam listas para que os dois partidos migrem oficialmente para o bloco do Arthur Lira (PP-AL).

O racha no DEM, partido de Rodrigo Maia, se deve, principalmente, aos diversos cargos que caciques do partido têm no governo Bolsonaro, como Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco), Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudente) e Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).

Protesto

No PT, que tem a maior bancada da Câmara, pelo menos cinco deputados – contrários à aliança com Baleia Rossi e o MDB -, vão votar na candidata do Psol, Luiza Erundina (SP).

Vigília

Servidores convocaram para hoje uma vigília em frente ao Congresso Nacional em defesa da vacina, contra as privatizações e a reforma administrativa. Mas a Polícia Militar decidiu interditar o trânsito na Esplanada dos Ministérios. O objetivo, segundo a PM, é garantir “a segurança de todos” que vão participar da abertura o ano legislativo.

Endividamento

O endividamento das famílias brasileiras atingiu, em 2020, o maior patamar em 11 anos. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de endividados no país fechou em 66,5%. Em 2019, os endividados eram 63,6% das famílias.