Paulo Guedes nega pedido de demissão e pede compreensão

Boatos começaram após anúncio do reajuste do programa Auxílio Brasil, que exigirá R$ 30 bilhões em recursos extras, excedendo o limite fiscal

O ministro da Economia, Paulo Guedes, negou que tenha pedido demissão do cargo integrado ao governo do presidente Jair Bolsonaro. O assunto que foi um dos mais debatidos ao longo do dia, tomou corpo em meio às questões discutidas sobre o teto de gastos para financiar o Auxílio Brasil de R$ 400 e à posterior saída de sua equipe. A nova medida deve substituir o programa Bolsa Família a partir de 2022.

O presidente da República, Jair Bolsonaro e o ministro da economia, Paulo Guedes, fazem declaração conjunta à imprensa no auditório do ministério da economia em Brasília – Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/NDO presidente da República, Jair Bolsonaro e o ministro da economia, Paulo Guedes, fazem declaração conjunta à imprensa no auditório do ministério da economia em Brasília – Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/ND

“Trabalho para um presidente democraticamente eleito, bem intencionado. Estou errado em não pedir demissão porque vão gastar R$ 30 bilhões a mais? Estou fazendo o que de errado? Peço compreensão. Vamos trabalhar até o fim do governo”, disse.

Ele disse ainda que, em nenhum momento, o presidente Bolsonaro insinuou algo semelhante à sua demissão. Segundo o ministro, ele soube que, quando estava nas reuniões do FMI, houve “uma movimentação política no Brasil” para retirá-lo do cargo.

“Não falo que são ministros fura teto, existe uma legião de fura teto”, disse, admitindo que é uma regra restritiva.

Bolsonaro fez pronunciamento ao lado de Guedes

Em pronunciamento ao lado do ministro da Economia Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro argumentou que o agravamento da inflação, em decorrência da pandemia, piorou a condição de vida das pessoas mais pobres e, por isso, o governo decidiu aumentar o valor do programa Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa Família.

“Agravou-se a questão da inflação chegando aos dois dígitos. Isso não é exclusivo do Brasil, o mundo todo vive esse problema, como o Reino Unido, por exemplo, a Europa quase como um todo. Acompanhamos o aumento de preço nos Estados Unidos. E o Brasil é um dos países que, na economia, é um dos que menos está sofrendo”, destacou o presidente em discurso na sede do Ministério da Economia.

“Agora, contudo, tem uma massa de pessoas que são os mais necessitados. Hoje em dia, em torno de 16 milhões de pessoas, que estão no Bolsa Família, cujo ticket médio está na casa dos R$ 192. E a gente vê esse valor completamente insuficiente para o mínimo. Assim sendo, com responsabilidade, vínhamos estudando há meses essa questão”, disse Bolsonaro.

Guedes e Bolsonaro fizeram um pronunciamento à imprensa, após a repercussão negativa do reajuste no programa, que vai demandar recursos extras além do que permite a regra do teto de gastos. De acordo com o governo federal, o Auxílio Brasil deverá ser ampliado para 17 milhões de beneficiários.

Surpresa

O ministro da Economia relatou que foi pego de surpresa pela saída de quatro secretários na quinta-feira. Após a confirmação do acordo político para alterar a regra do teto de gastos, a pasta anunciou os pedidos de exoneração do secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, do secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, e de seus adjuntos.

Guedes lembrou que os ex-secretários trabalharam com as equipes que elaboravam a proposta do auxílio no Congresso. “Eu soube 24 horas antes que Funchal e Jeferson pediriam para sair. Eles negociaram, negociaram, e de repente disseram que iam sair. Os secretários disseram que estávamos furando o teto, eu falei que furamos no ano passado para atender a saúde”, relatou.

O ministro ainda argumentou que não quer tirar “nota 10 em fiscal” e deixar os brasileiros mais frágeis passarem fome. “Como ministro da economia tenho que lutar pelo teto, sim, e lutei até o final.”

“Mas se desacelerarmos reformas, a nossa capacidade de atender social também é desacelerada. Não existe essa antítese entre o liberal e o social. Não posso ser contra protótipo de programa de renda mínima, mas quero o financiamento correto”, completou.

* Com informações da Agência Brasil.

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