PGR pede abertura de inquérito para investigar o ministro Ricardo Salles

Ele é suspeito de ter atrapalhado a investigação de madeireiros na maior apreensão de madeira ilegal realizada pela PF

A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu, nesta segunda-feira (31), que a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, abra investigação contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, suspeito de ter atrapalhado a investigação de madeireiros enquadrados na maior apreensão de madeira ilegal da história da Polícia Federal.

PGR quer abertura de inquérito para investigar Ricardo Salles – Foto: Lula Marques/Divulgação/NDPGR quer abertura de inquérito para investigar Ricardo Salles – Foto: Lula Marques/Divulgação/ND

A PGR também pede pelo depoimento do presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, suspeito pelos crimes de facilitação de contrabando e advocacia administrativa, e dos agentes da Polícia Federal que participaram da apreensão recorde em 2020. A peça foi assinada pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros.

Salles foi citado em notícia-crime da PF enviada ao Supremo no mês passado, que gerou o pedido da PGR.

No documento, o delegado Alexandre Saraiva apontou indícios de três crimes: dificultar fiscalização de questões ambientais; patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública; e integrar a suposta organização criminosa atingida pela operação. Salles nega as acusações.

Saraiva também defendeu a legalidade da operação e citou diversas críticas públicas e ações do ministro contra a apreensão.

Ricardo Salles já é investigado no STF

Salles já é alvo de um inquérito no Supremo. No dia 19 de maio, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, autorizou operação Akuanduba, da PF, para cumprir 35 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo e Pará. Entre os alvos da ação, estiveram três endereços ligados a Salles.

Junto a outros 17 servidores do Ibama, o ministro teve ainda os sigilos fiscal e bancário quebrados. A investigação mirou funcionários da administração pública acusados de facilitar a exportação ilegal de madeira e visa apurar crimes contra a administração pública (corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando) praticados por servidores e empresários do ramo madeireiro.

Em resposta ao R7, o ministério do Meio Ambiente afirmou que a abertura da investigação “será uma boa oportunidade para esclarecer todos os fatos”.

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