Povo está vibrando com decreto em favor das armas, defende Bolsonaro em SC

Na última sexta-feira, o presidente alterou quatro decretos federais a fim de desburocratizar e ampliar o acesso a armas de fogo e munições no país

Ainda em sua viagem a lazer por São Francisco do Sul, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, no domingo (14), que o povo está vibrando com os decretos que regulamentam a compra de armas e munição por agentes de segurança e colecionadores. 

Bolsonaro passeou por diversas praias na manhã desta segunda-feira – Foto: Jociane FernandesBolsonaro passeou por diversas praias na manhã desta segunda-feira – Foto: Jociane Fernandes

Na última sexta-feira, o presidente alterou quatro decretos federais com o objetivo de desburocratizar e ampliar o acesso a armas de fogo e munições no país. As medidas foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União na noite desta sexta-feira (12). Todas elas regulamentam o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.823/2003).

Em Santa Catarina, Bolsonaro respondeu aos jornalistas que perguntaram sobre o armamento:  “o povo está vibrando”. A declaração foi dada neste domingo (14) na saída do Forte Marechal Luz, junto a apoiadores.

O presidente e sua família passam o Carnaval em Santa Catarina. É a segunda vez que Bolsonaro se hospeda no Forte Marechal Luz, na praia do Forte, em SFS. Têm sido assediado por moradores, visitantes. Tanto o presidente quanto o filho Eduardo Bolsonaro causam aglomeração por ondem andam.

Antes da declaração do presidente, o filho Eduardo Bolsonaro (PSL) já tinha dado algumas declarações a respeito em tom de provocação.

“Cadê o rapaz que queria arma?”, perguntou Eduardo ao grupo de pessoas que aguardava o presidente na praia, no fim da manhã.

“Vocês estão com saudades do BNDES mandando dinheiro para Cuba?”, questionou, ouvindo “Nãooooo”

Em seguida, perguntou: “Criança na escola é para aprender sexo?”

O deputado federal também provocou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Se o Lula vier aqui vai ter esse carinho todo?”, perguntou em tom de provocação. 

Veja os vídeos:

Os decretos

O presidente Jair Bolsonaro alterou quatro decretos federais. Uma das mudanças, no Decreto 9.845/2019, permite que profissionais com direito a porte de armas, como Forças Armadas, polícias e membros da magistratura e do Ministério Público, possam adquirir até seis armas de uso restrito. Antes, esse limite era de quatro armas. 

O Decreto 9.846/2019 foi atualizado para permitir que atiradores possam adquirir até 60 armas e caçadores, até 30, sendo exigida autorização do Exército somente quando essas quantidades forem superadas. A medida também eleva a quantidade de munições que podem ser adquiridas por essas categorias, que passam a ser 2.000 para armas de uso restrito e 5.000 para armas de uso permitido. 

“A justificativa para este aumento é que os calibres restritos ainda são muito utilizados pelos atiradores e caçadores, nas competições com armas longas raiadas, assim como nas atividades de caça. Um competidor facilmente realiza 500 tiros por mês, somente em treinamentos, de modo que as 1.000 unidades de munição e insumos para recarga atualmente previstas não são suficientes nem para participar do Campeonato Brasileiro, que são 10 etapas ao longo do ano”, disse o Palácio do Planalto, em nota para divulgar as mudanças. 

O decreto garante aos chamados CACs, que são caçadores, atiradores e colecionadores, o direito de transportar as armas utilizadas, por exemplo, em treinamentos, exposições e competições, por qualquer itinerário entre o local da guarda e o local da realização destes eventos.

O presidente também modificou o Decreto 9.847/2019, que regulamenta o porte de arma de fogo, para permitir, por exemplo, que profissionais com armas registradas no Exército possam usá-las na aplicação dos testes necessários à emissão de laudos de capacidade técnica.

A medida também estabelece, entre outras mudanças, novos parâmetros para a análise do pedido de concessão de porte de armas, “cabendo à autoridade pública levar em consideração as circunstâncias fáticas do caso, as atividades exercidas e os critérios pessoais descritos pelo requerente, sobretudo aqueles que demonstrem risco à sua vida ou integridade física, e justificar eventual indeferimento”. 

Por fim, Bolsonaro atualizou o Decreto 10.030/2019 para desclassificar alguns armamentos como Produtos Controlados pelo Exército (PCEs), dispensar da necessidade de registro no Exército para comerciantes de armas de pressão (como armas de chumbinho), a regulamentação da  atividade dos praticantes de tiro recreativo e a possibilidade da Receita Federal e dos CACs solicitarem autorização para importação de armas de fogo e munição. 

O decreto ainda estabelece atribuição clara da competência do Exército para regulamentar a atividade das escolas de tiro e do instrutor de tiro desportivo, e autoriza ainda o colecionamento de armas semiautomáticas de uso restrito e automáticas com mais de 40 anos de fabricação.

“Percebe-se, assim, que o pacote de alterações dos decretos de armas compreende um conjunto de medidas que, em última análise, visam materializar o direito que as pessoas autorizadas pela lei têm à aquisição e ao porte de armas de fogo e ao exercício da atividade de colecionador, atirador e caçador, nos espaços e limites permitidos pela lei”, enfatizou o Palácio do Planalto, em nota.

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