Laudelino Sardá

Causos da Ilha, seus personagens, histórias e momentos do cotidiano de Florianópolis com quem conhece os cantos da Capital de Santa Catarina.


Razão mascarada

O cidadão conhece pessoas do bairro, da cidade, mas não tem a menor noção dos verdadeiros perfis dos homens públicos

Os embaraços na compreensão da Nação têm uma evidência: a educação deficitária não explica a história e nem a realidade brasileira.

Cada capítulo tem a sua versão e, assim, a sociedade não consegue fazer uma leitura das contradições e sequer imaginar o que poderia pelo menos desenhar a veracidade de um passado de perturbações políticas e de jogos de interesses.

Orçamento represado prejudica entrega de livros para o próximo semestre – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Divulgação/NDOrçamento represado prejudica entrega de livros para o próximo semestre – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Divulgação/ND

O cidadão conhece pessoas do bairro, da cidade, mas não tem a menor noção dos verdadeiros perfis dos homens públicos. E por quê? Justamente porque o homem público só tem compartilhada a identidade eleitoral com a sociedade.

Os velhos hábitos de política oligárquica vieram nas 62 caravelas que trouxeram para o Brasil, em 1808, cerca de 5% da população lusitana, composta da alta corte e toneladas de livros e outras riquezas do Império.

Ao retornar a Lisboa em 1821, D. João VI levou o cofre do Banco do Brasil. Na verdade, coma fuga para o Brasil, dom João acirrou a sua luta pela independência de Portugal contra as forças de Napoleão Bonaparte. Ao retornar ao seu Império,deixou aqui, como herança, a política viciosa.

Hoje vivemos as mesmas incertezas produzidas pela folgança política. O jogo não é ideológico,mas de interesses que obliteram a compreensão da República e que, por exemplo, levaram o presidente Bolsonaro a sofismar o Brasil perante membros da ONU, a ponto de precisar comer na esquina por falta de provas de vacinação para entrar em um restaurante.

O poder cego sobrepõe-se a uma realidade social intolerável, que abstrai a Nação da sensibilidade humana e da solidariedade. Aliás, a miséria não é apenas social, mas, sobretudo, política.

Enquanto isso, na praia da Cachoeira….

– Oi, pessoal, pegaram cocoroca ou ouviram o presidente falar na ONU?

– Poxa, Jezo, há quanto tempo que não vens na praia. Queres saber? O dia de ontem foi tão cretino, com rajada de vento e frio, que nem cocoroca resistiu. E lá em casa, a mulhê desligou a tevê com medo da trovoada.

– No mínimo tu ficou debaixo do cobertor, né, Lelo?

– Eu, não, mas o Venanço foi lá pra casa e bebeu toda a minha pinga.

– Claro, né, nem deu pra fazer outra coisa,amigo. Dei uma de peixe me escondendo atrás da pedra ka ka ka ka, reage Venâncio.

– Tá certo, meus amigos. Eu nunca tinha vivido um dia de tantas incertezas. Há muita gente jogando pedra ao vento mascarado.

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