Rodrigo Constantino

Ele se define como "um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda politicamente correta".


Rodrigo Constantino: Brincando de deuses

Indivíduos possuem aversão a risco diferente, e cada um deve ser dono do seu nariz. Por fim, a hipocrisia de muitos desses líderes gera revolta e desconfiança

A pandemia é grave e está numa fase bem preocupante. Mas a defesa de restrições por parte dos “isolacionistas” já dura um ano. Parece que ganharam gosto pela coisa, pelo controle social, pelo abuso de poder.

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro – Foto: Monique Arruda/MetrópolesEduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro – Foto: Monique Arruda/Metrópoles

Mudam feriados de suas cabeças, exigem todos trancados em casa, longe das praias e praças, do trabalho, decidem o que é ou não essencial, tudo isso em canetadas sem passar pelo crivo do Poder Legislativo, que representa o povo – e o poder emana do povo.

“A gente sabe que as praias não são local de grande transmissão por serem um espaço aberto, mas precisávamos sinalizar para a população que não dá para viver a vida normal”, justificou o prefeito do Rio, Eduardo Paes.

Não podemos achar que isso seja normal, podemos? Quer fazer uma campanha de informação ou mesmo de persuasão, tudo bem; mas impor medidas drásticas em nome da “conscientização” parece absurdo. Como é bizarro ver prateleiras inteiras em mercados do Sul lacradas, pois o governador julga que não são produtos essenciais.

Bolsonaro usou a Constituição, a Lei da Liberdade Econômica e a Lei Nacional da Quarentena para contestar no STF o toque de recolher decretado pelos governadores. Ele está certo. “É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”, diz a ADI, citando o texto constitucional em suas 24 páginas.

Bolsonaro, que a mídia tratava como grande ameaça fascista, sai em defesa dos direitos do povo e do devido processo legal para impor medidas dessa natureza, enquanto a mesma mídia aplaude governadores autoritários e um Supremo que tem sido o primeiro a rasgar a Constituição da qual deveria ser o guardião. É no mínimo irônico. Em primeiro lugar, não há comprovação científica de que o lockdown funciona.

Em segundo lugar, as pessoas saem às ruas para trabalhar por necessidade, desespero, e isso tem tanta importância quanto a saúde. Se em certas cidades faltam leitos, em certas casas falta leite. Quem decide a prioridade?

Em terceiro lugar, indivíduos possuem aversão a risco diferente, e cada um deve ser dono do seu nariz. Por fim, a hipocrisia de muitos desses líderes gera revolta e desconfiança.

O governador Doria foi para Miami e estava sem máscara na loja, o prefeito Covas levou o filho para o Maracanã, e o prefeito Eduardo Paes foi visto se aglomerando sem máscaras com colegas de partido, entre eles Rodrigo Maia, quando saiu o resultado da eleição.

Sim, ninguém gosta de ver o caos hospitalar, agravado pela pandemia, mas que já é a regra no SUS há anos. Só que o lockdown não tem eficácia comprovada, custa caro demais para o povo trabalhador, e significa um arbítrio preocupante de governadores e prefeitos que gostaram de brincar de deuses.

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