Guilherme Fiuza

Jornalista e escritor que iniciou a carreira em 1987, no "Jornal do Brasil". Entre outras redações, trabalhou em "O Globo" e revista "Época". Escreve também sobre política para a "Gazeta do Povo".


Rumo ao multipresidencialismo?

Tentando de qualquer maneira transformar o presidente numa caricatura patética

Quando o Brasil mais precisava de uma oposição consistente, capaz de reconhecer os acertos do governo e apontar os seus erros, a oposição sumiu. O país poderia estar numa corrida presidencial promissora, com pelo menos um candidato com coragem para afirmar os avanços nas áreas de infraestrutura e desburocratização, por exemplo, e fazer a crítica pertinente sobre o prejuízo que a dança das cadeiras nos ministérios da Educação e da Saúde significou para a gestão dessas áreas – apontando propostas que não fossem xingar o presidente de fascista.

Presidente Jair Bolsonaro  – Foto: Marcelo Camargo – Agência BrasilPresidente Jair Bolsonaro  – Foto: Marcelo Camargo – Agência Brasil

Infelizmente isso não existe hoje no Brasil. Nem o inegável êxito contra a corrupção – eliminando alguns dos maiores focos de roubalheira, como na área das obras viárias – é afirmado por qualquer dos candidatos como algo aproveitável na gestão federal. Tudo é ruim, nada presta, tudo é ódio, tudo é fake, etc. Tentando de qualquer maneira transformar o presidente numa caricatura patética, os “presidenciáveis” não entenderam que se tornaram eles mesmos os caricatos.

Todos os candidatos de oposição somados não dão um só. Mas vamos supor que dessem. Se reuniriam então numa candidatura única. Podemos imaginar como seria esse governo coletivo, baseados no discurso e nas ações recentes da junta de “presidentes” – inaugurando o regime multipresidencialista.

Em lugar de uma politica de desburocratização, teríamos uma política de descondenação, desenvolvida pelo mais experiente no assunto da junta de presidentes – Lula da Silva. Como propagar o ódio e ser paparicado pela elite culta – esta seria a contribuição do copresidente Ciro Gomes, espalhando por todo território nacional seus insultos, agressões e impropérios repletos de empatia e doçura.

O copresidente Sergio Moro cuidaria do setor de metamorfoses – baseado na sua experiência única de passar de juiz rigoroso e implacável a político demagogo de quinta categoria, aconselhado pelo Mamãe Falei. Moro formularia as diretrizes para a área de justiça e segurança, colocando em prática o princípio de que o importante é jogar denúncias vagas no ventilador para sacudir o tédio da República.

Os copresidentes Eduardo Leite e João Dória ficariam responsáveis pela área dos confinamentos soviéticos da população, decidindo a cada semana qual gôndola de supermercado pode ser acessada e qual porta de comércio pode ser aberta. A copresidente Simone Tebet levaria para o governo toda a sua experiência ao lado de Renan Calheiros e Omar Aziz, instituindo arapucas com interrogatórios brutais sem perder o sorriso delicado de defensora da causa feminina.

Cabo Daciolo, João Amoedo, Rodrigo Pacheco e alguns outros formariam uma espécie de baixo clero da junta presidencial, com a missão de explicar os erros do novo governo botando a culpa no Bolsonaro.

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