Rodrigo Constantino

Ele se define como "um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda politicamente correta".


Salvar a democracia com Ciro Gomes?

Talvez quando governadores tucanos rasgam a Constituição para abolir o direito de ir e vir, decidir o que é produto essencial e qual negócio pode ou não funcionar

Um grupo de seis possíveis candidatos à presidência em 2022 lançou esta semana um manifesto em “defesa da democracia” e contra o autoritarismo. O manifesto ocorre depois de o presidente Jair Bolsonaro demitir o ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva; e os comandantes da Marinha, da Aeronáutica e do Exército.

Ciro Gomes foi um dos candidados à presidência da República em 2018 – Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil/DivulgaçãoCiro Gomes foi um dos candidados à presidência da República em 2018 – Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil/Divulgação

O texto é assinado pelo ex-ministro da Saúde Mandetta (DEM), que transformou a pandemia em palanque eleitoral e mandava todos ficarem em casa até sintomas graves; pelo apresentador de TV, Luciano Huck, um tucano de alma que adora “lacrar” nas redes sociais; pelos ex-candidatos presidenciais em 2018 Ciro Gomes (PDT), um arrogante e autoritário político de esquerda, e João Amoêdo (Novo), um tucano alaranjado obcecado em pedir o impeachment do presidente; e ainda pelos governadores tucanos João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), que não possuem bons resultados para mostrar como gestores nessa pandemia, apesar de abusarem de medidas autoritárias e tentarem monopolizar a fala em nome da ciência.

A imprensa está adotando a narrativa de que se trata de um manifesto que une da esquerda à direita, faltando só apontar qual o direitista no grupo. São todos tucanos em essência, fora Ciro Gomes, um radical oportunista que já passou por tudo que é partido e foi ministro no governo do PT, de extrema esquerda.

“A conquista do Brasil sonhado por cada um de nós não pode prescindir da Democracia. Ela énosso legado, nosso chão, nosso farol. Cabe a cada um de nós defendê-la e lutar por seus princípios e valores”, diz um trecho do documento, intitulado “Manifesto pela Consciência Democrática”. Resta saber onde exatamente a democracia está ameaçada.

Talvez quando governadores tucanos rasgam a Constituição para abolir o direito de ir e vir, decidir o que é produto essencial e qual negócio pode ou não funcionar? Talvez quando o STF cria inquérito ilegal e persegue críticos, mandando para a prisão até deputado com imunidade parlamentar? Nada disso consta no documento.

Rodrigo Saraiva Marinho, que foi candidato pelo Novo em Fortaleza, desabafou: “Ciro Gomes é o que há de pior na política brasileira, tem o autoritarismo tão criticado em uns e o absurdo estatismo tão criticado em outros. É triste ver um dos membros fundadores do Novo assinando uma carta com o líder do grupo familiar que vem destruindo o Ceará há anos”.

Em seguida, ele lembrou de uma declaração de Ciro: “A Venezuela é uma democracia. Tão democrática quanto a brasileira e a americana”. É com uma figura dessas que vamos salvar nossa democracia da suposta ameaça bolsonarista? É realmente uma piada de mau gosto, e mostra o grau de oportunismo e politização da esquerda nessa pandemia.

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