“Tá precisando de uma vassourada que limpe o Supremo”, diz Roberto Jefferson

Ex-deputado e atual presidente do PTB concedeu entrevista exclusiva ao ND Notícias e conversou com Paulo Alceu sobre o inquérito das 'fake news' e o governo Bolsonaro

O ex-deputado e atual presidente do PTB, Roberto Jefferson, concedeu entrevista ao ND Notícias e conversou com o jornalista Paulo Alceu sobre o inquérito das ‘Fake News’ e o atual momento da política brasileira.

Roberto Jefferson concedeu entrevista ao ND Notícias – Foto: Reprodução/ND NotíciasRoberto Jefferson concedeu entrevista ao ND Notícias – Foto: Reprodução/ND Notícias

Roberto Jefferson fez duras críticas aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e ao presidente Dias Toffoli, e afirmou torcer para que as forças armadas deem uma ‘vassourada’ e aposentem os atuais representantes da corte.

No início da conversa, foi destacada a dificuldade técnica para entrar em contato com o ex-deputado, visto que ele teve seus aparelhos eletrônicos levados pela Polícia Federal recentemente, no que Roberto Jefferson classificou como “crime de opinião”.

“Foi a Polícia Federal, a mando do [ministro] Alexandre de Moraes, porque tenho criticado o Supremo, e aí eles me puseram no processo das ‘fake news’, e a Polícia Federal teve aqui e levou meus celulares, meu computador”, explicou.

Paulo Alceu – O que eles vão encontrar neste computador?

Nada grave. A lista das pessoas com quem me correspondo, e-mail… podem levar à vontade. Eu gostaria apenas que eles devolvessem, porque é um patrimônio, custa R$ 6 mil um laptop, custa caro.

Paulo Alceu – Como o senhor está avaliando este inquérito do STF das Fake News?

Ele foi feito para encobrir crimes do Gilmar Mendes e do Toffoli. Os dois têm um patrimônio milionário incompatível com os seus salários. O povo paga a eles uma média de R$ 30 mil de salário mensal, o que dá uma renda líquida anual em torno de R$ 260 mil. E eles têm patrimônio de mais de R$ 30 milhões. Salário que recebem como empregados do povo que são. Eles são funcionários públicos nomeados, que é a terceira categoria, primeiro é o eleito, o poder emana do povo e de seus representantes eleitos, segundo é o concurso público, e por último é a nomeação, nem concurso público prestaram, nem eleição fizeram. Supremo é o povo, não estes sujeitos que estão lá. E o que eles declararam de renda é incompatível com o patrimônio. Os auditores da receita quiseram investigar, foram proibidos pelo Alexandre de Moraes, afastados da investigação que faziam, aí eles vazaram para os veículos de comunicação O Antagonista e a revista Crusoé, a declaração de renda de patrimônio dos dois ministros, e saiu com essa história de fake news, que tudo isso não passava de uma mentira. Quer dizer, criaram uma crise de narrativa para tentar encobrir o mal-feito do Gilmar e o mal-feito do Toffoli.

Paulo Alceu – Então o ‘gabinete do ódio’ que eles falam tanto para alcançar o presidente Bolsonaro, também está para encobrir isso?

Não tem ‘gabinete do ódio’, tem resposta. A toda ação corresponde uma reação, igual e no sentido contrário. O Supremo tem sido o verdugo do presidente Jair Bolsonaro. O Supremo tem atacado inclementemente o governo. Todo ativismo judicial, todo protagonismo judicial, é do Supremo contra o Executivo. Como os partidos estão frágeis, o Congresso está subjulgado, os presidentes do Congresso, tanto na Câmara como no Senado, têm o rabo preso na gaveta do presidente do Supremo, e ambos respondem por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, então o rabo está preso na gaveta do presidente do Supremo, eles tão de cócoras. Quem tem o protagonismo político é o Supremo, que está tentando atingir o Presidente da República. Quem está gerando ódio é o Supremo Tribunal Federal.

Paulo Alceu – Então é por isso que eles também não criam um processo de impeachment alcançando os ministros do STF, porque o Senado está devendo?

O Presidente do Senado é que faz a pauta, e ele deve. Então o assessor parlamentar do Presidente do Supremo vai lá e diz: ‘Olha, Alcolumbre, se você puser na nossa pauta o pedido de impeachment contra qualquer ministro, entra na pauta o seu processo-crime no Supremo, e você vai ser condenado a 15 anos, vai virar o Eduardo Cunha, vai ser afastado da presidência, vai ser cassado e vai ser preso’, é isso que eles falam, é um jogo bruto. Interessa ao Supremo que o presidente do Senado seja ‘rabudo’, porque com o rabo preso na gaveta deles, eles pisam e não deixam o Senado agir. Hoje nós temos o Senado ajoelhado, acocorado, diante do STF.

Paulo Alceu – De repente o STF vai aprovar a reeleição pra presidente do Senado e presidente da Câmara, para manter o rabo preso?

Eu temo que sim, tenho essa preocupação. Você veja, o Celso de Mello, ele abriu mão, mandou para o Gilmar, é sempre a mesma turma. Alexandre de Moraes, Fachin, Barroso. As juízas Rosa Weber, Carmen Lúcia, o Marco Aurélio Melo, Lewandowski… eles quase não aparecem nesse jogo de relatoria. Só esse grupo, esse pelotão de fuzilamento mais ativista é que toda hora o sorteio, por coincidência, cai no colo deles. E eles estão sempre dispostos a prejudicar o presidente. Eu creio que eles vão votar contra a Constituição e a vontade do povo, permitindo a reeleição imoral do Alcolumbre, porque eles têm o Alcolumbre na gaveta. O rabo do Alcolumbre é um rabão comprido, sai do Senado, atravessa a Praça dos Três Poderes, vai lá no Supremo e tá trancado na gaveta do amigo, estagiário do PT, o Toffoli. É muito ruim o atual Supremo, é o pior da história do Brasil.

Paulo Alceu – Pelo que eu estou ouvindo do senhor, está tudo contaminado, e essa contaminação não vem de hoje, vem de muito tempo, e, se me permite, o senhor já passou por uma situação constrangedora em relação a tudo isso, na época daquela delação do que acontecia lá no Senado. Também teve a CPI do Orçamento, da propina… Quando é que vai acabar isso?

Vai acabar. Hoje o povo interage muito, via internet, os fatos que são presentes, a notícia é presente, é momentânea, é instantânea. E a reação popular é muito grande. Acabou, não dá mais pra roubar e botar o dinheiro embaixo do tapete, o povo tá vendo. E do outro lado você tem um presidente que é um homem que não rouba e que não deixa roubar. O Presidente Jair Bolsonaro é um homem honrado, um homem honesto, não rouba, não deixa roubar. Isso tá gerando um desespero na Praça dos Três Poderes, porque a harmonia que eles falam que havia, é que dividiu o butim, no Senado, Câmara, Executivo e Supremo. Hoje acabou, o Executivo que é o dono do caixa, é o dono do dinheiro, não passa mais dinheiro pra que essa bandalha continue. Acabou a era Lula, era Dilma, acabou a era Fernando Henrique, isso tudo acabou, isso ficou no passado, agora é capitão Bolsonaro. Uma era de honra, de seriedade, de civismo e de altivez.

Paulo Alceu – O senhor esteve na era Lula, era Dilma, era Fernando Henrique, foi inclusive condenado, foi preso… o que falta no Brasil para que a gente dê um freio na corrupção? Agora estão querendo dizer que o Sérgio Moro é parcial, daí já deixa o Lula numa condição de concorrer a presidente em 2022… Faltam leis mais rígidas ou falta respeito?

Não. Você repare, houve uma faxina no legislativo com o mensalão, com o petrolão, e a lava-jato. Houve uma faxina também no executivo como o petrolão e a lava-jato, pegou firme ministros de Estado, presidente da republica, pegou duro no Executivo e no Legislativo, senadores, deputados, todos presos, cassados, perderam mandato, a Dilma foi cassada, o Lula foi condenado em terceira instância, tá solto porque o estagiário do Supremo, o Toffoli, deu um habeas corpus ao ex-patrão, é uma vergonha. O Zé Dirceu tá solto… também condenado, nem tornozeleira eles usam. É que o Supremo é todo de esquerda, um esquema hoje todo ligado à esquerda petista e psdbista, porque o PSDB é um ‘partido melancia’, ele é verde por fora e vermelho por dentro. O Fernando Henrique sempre foi um comunista fantasiado de verde, vestido com uma fantasia verde-oliva.

Paulo Alceu – A gente tem pra onde correr? que tipo de limpeza deve ser feita?

O atual quadro de ministros – não a instituição Supremo, vamos resguardar democraticamente a instituição Supremo – que lá estão, todos foram colocados para cumprir um papel marxista, leninista e maoísta. O governo é conservador e de direita, o governo do Presidente Jair Bolsonaro. E esses ministros que são de esquerda, tão cumprindo um papel, que não tem partido de oposição que consiga fazer, de tentar impedir, com mandado de segurança, por decisão que invade competências exclusivas do Poder Executivo, estão tentando impedir o Presidente de governar. O que vai acabar acontecendo? Vai dar um choque e o poder moderador das forças armadas vai intervir, vai chegar a hora. Há um conflito entre poderes, quem resolve? Tem que ser alguém que esteja acima. Quem está acima dos Três Poderes? As forças armadas, o poder garantidor do art. 142 da Constituição Federal. E aí o que acontece? Um projeto-lei, se aposentam esses 11 ministros compulsoriamente, e o Presidente Bolsonaro poderá nomear novos ministros e seguir, se Deus quiser, com a vida muito melhor do que a que tem vivido até agora.

Paulo Alceu – Do lado de lá eles pensam diferente, eles pensam na possibilidade de desalojar o presidente Bolsonaro…

Manda quem tem fuzil. A toga não tem mais força do que o fuzil. Eles são maoístas, eles sabem, Mao Tsé-Tung ensinou isso na sua cartilha, o primeiro artigo da cartilha maoísta. O poder principia no cano do fuzil, e o poder se garante no cano do fuzil. O chefe supremo das forças armadas é o Presidente da República, o presidente é chefe de Estado e chefe de governo. Então, quando ele evocar o poder de chefe de Estado e comandante das forças armadas, ele vai mostrar o fuzil pra turma da capa preta e eu quero ver se a capa preta segura a bala. Aquilo ali não é colete à prova de balas não, aquilo fura. Você vai ver o que é ministro correr quando cercarem aquele Supremo, os militares em nome do poder garantidor e moderador do artigo legal, constitucional, institucional, que é o artigo 142 da Constituição Federal.

Paulo Alceu – É assim que o senhor está vendo nosso futuro breve?

Vendo não, torcendo. Torcendo pra que venha logo. Chega, tá precisando de uma vassourada que limpe o Supremo, que é a lata de lixo da história do Brasil. É o pior Supremo que nós já tivemos. O que tem de gente ruim, todo homúnculo, todo monturo, hoje lobista, é ministro do Supremo Tribunal Federal. Tem que passar o rodo, limpar, aposentar todo mundo, botar em casa, chega. E nomear juízes de carreira, juízes togados, que tenham amor à justiça, à toga, à capa, à espada da justiça, à balança da justiça, que usam a venda da justiça por amor que têm ao concurso que fizeram. Eu entendo que o Supremo é o último degrau da carreira da magistratura, não é lugar de advogado lobista.

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