Guilherme Fiuza

Jornalista e escritor que iniciou a carreira em 1987, no "Jornal do Brasil". Entre outras redações, trabalhou também em "O Globo", do qual é hoje articulista. Escreve também sobre política para a revista "Época" e para a "Gazeta do Povo".


Uma demagogia de cada vez

A Câmara dos Deputados cuspiu na democracia fingindo defendê-la

Quem pode estar preocupado com AI-5 – citado de forma lamentável pelo deputado Daniel Silveira – sendo cúmplice da cassação discricionária da liberdade parlamentar? Quem piar fora do tom o STF prende e arrebenta? Que lei é essa? A história há de punir os covardes. O curioso foi notar que o caso da prisão de Daniel Silveira pareceu arrefecer por algum tempo a patrulha que surfa na pandemia para fazer política.

demagogia; de cada vezDaniel Silveira foi preso na terça (16) – Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação/ND

Com a nova crise envolvendo o STF, os pandemínions até pararam um pouco de fingir que estão salvando vidas para fingir que estão salvando a democracia. É isso aí. Uma demagogia de cada vez.

Não está nada difícil de perceber que há uma elite egoísta simulando defesa da saúde e da democracia para cassar a liberdade do cidadão – numa tirania sonsa que mente e prende com cara de anjo. Você acha que dá para continuar transigindo com isso? Enquanto achar que sim, a ditadura sanitária que não salva ninguém avançará numa boa. O toque de recolher na Bahia, por exemplo, tem forças de segurança ameaçando prender e invadir residência.

Quem reage a esse autoritarismo brutal e nada científico? O Ministério Público está calado. Judiciário é cúmplice (as decisões em geral beneficiam quem tranca mais) e a grande imprensa parece estar adorando, a julgar pelo apoio a qualquer medida de lockdown e congêneres. E o povo assiste a esse cerco achando que uma hora isso vai passar.

Será? O governo de Israel já iniciou a política ditatorial de segregar a população não vacinada contra covid. Nem a taxa de letalidade, nem os grupos vulneráveis embasam essa medida atroz – mesmo se não estivéssemos falando de vacinas incipientes, com estudos insuficientes, por exemplo, quanto à eficácia e a segurança para idosos. No Brasil, o Ministério Público do Trabalho recomendou às empresas que demitam funcionários que não quiserem tomar vacina contra covid-19.

Onde estão os democratas para defender o cidadão da ditadura da vacina experimental? A lei requer fundamentação científica para qualquer medida compulsória – e, como dito acima, nem a taxa de letalidade, nem os grupos vulneráveis sustentam a necessidade de vacinação geral. Não sobrou ninguém fora desse lobby?

Aliás, por que o Ministério da Saúde parou de publicar a atualização dos estudos científicos sobre tratamento e mitigação da covid? Porque a ausência de alternativa terapêutica é condição para a autorização do uso emergencial da vacina? Ou foi só coincidência?

Ninguém de boa fé está discutindo deputado de direita ou vacina de esquerda. Trata-se de um arsenal de pretextos para controle. Reaja. Eles são petulantes, mas temem ser desmascarados em sua falsa ética. Por enquanto.