Alexandre Garcia

Jornalista com décadas de atuação na TV e rádio, como apresentador, repórter, comentarista e diretor de jornalismo. A coluna aborda temas do cotidiano, entre eles comportamento, política e economia.


CPI da Covid-19 vai inocentar o vírus

Comissão corre o risco de desgastar a própria imagem a cada sessão espetaculosa

Esse início de CPI não surpreendeu. Os senadores da comissão agiram como era esperado. E os depoentes também. Muitas intenções, suposições e ainda sem revelações. Recebemos o já ouvido, já visto, já sabido.

Como no senado da Roma antiga, agitaram-se questores e catilinas, e até catões a repetir delenda Bolsonaro, delenda Bolsonaro. Não fingem isenção e deixam claro o objetivo, conhecido por gregos e troianos, de enfraquecer o presidente para evitar reeleição.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi um dos primeiros depoimentos da CPI da Covid-19 – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/NDO ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi um dos primeiros depoimentos da CPI da Covid-19 – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND

Depois dos interrogatórios, há entrevista para acertar a versão do acontecido, uma espécie de extensão do palanque. A CPI se instalou por ordem de um juiz do Supremo – o que, certamente, não teria acontecido se o presidente do Senado fosse Antônio Carlos Magalhães.

O presidente Pacheco curvou-se e considerou dois requerimentos: o primeiro, do senador Randolfe Rodrigues(Rede/Ap), com 31 assinaturas, e o do senador Eduardo Girão(Podemos/Ce), com 45 assinaturas. O das 31 assinaturas, tornou-se vice-presidente da comissão, e seu objetivo de investigar o presidente prevalece sobre o do senador de 45 assinaturas, que é investigar o destino dos bilhões federais aos Estados e municípios.

Com isso, CPI investiga o provedor dos recursos e não os executores dos gastos. O senador Girão citou em seu requerimento, o fato de a Polícia Federal conduzir 61 investigações sobre fraudes diversas com dinheiro federal, mas isso não motivou até agora os inquisidores da Comissão.

Mesmo porque nela há dois pais de governadores – um deles o próprio relator – e um ex-governador, com a família investigada em desvios da saúde – o próprio presidente da comissão. As lideranças partidárias que indicaram os integrantes da CPI desafiaram a memória popular sobre a ficha dos inquisidores.

A CPI ainda não se deu conta do que isso representa. Vai se expor por 90 dias. Com o objetivo de desgastar o candidato à reeleição, a CPI corre o risco de desgastar ela própria a cada sessão espetaculosa. Por enquanto, a inquisição pouco santa já condenou a cloroquina. O articulista gaúcho Percival Puggina previu esta semana que a CPI vai inocentar o vírus.

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