Zé Trovão: conheça o caminhoneiro que pede impeachment do STF

Zé Trovão ganhou notoriedade após desafiar Supremo Tribunal Federal e liderar protesto para o 7 de Setembro

Marcos Antônio Pereira Gomes, 33 anos, Zé Trovão, ganhou fama nos últimos meses por criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional e por conclamar a população para um ato no 7 de Setembro.

Caminhoneiro, começou a liderar um movimento no Norte de Santa Catarina, que tem refletido nacionalmente e ganhado contornos polêmicos e parado, inclusive, na esfera policial.

zé trovão em transmissão convocando povo para o ato de 7 de setembroMarcos Antônio Pereira Gomes, Zé Trovão, em um dos vídeos postado em redes sociais- Foto: reprodução vídeo/Divulgação ND

Um dos últimos vídeos gravados por Zé Trovão, no dia 30 de agosto, e postado em redes sociais ele voltou a pedir o impeachment dos 11 ministros do STF.

Mais do que isso: driblou a ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes e voltou a participar de transmissões e lives a fim de divulgar o movimento considerado, pelo STF, antidemocrático. O ato promete parar estradas com a paralisação de caminhoneiros a fim de pressionar o Senado a aceitar pedido de impeachment contra ministros do Supremo.

Moraes determinou, no último dia 20 de agosto, o bloqueio das redes sociais de Zé Trovão e de outros apoiadores do governo Bolsonaro, os proibindo de se manifestar em qualquer rede social dele ou de outros ou de se comunicar com outros manifestantes. Não adiantou.

Zé Trovão devolve dizendo que não é bandido e não admite ser tratado como tal. Isto porque, no mesmo dia 20, ele e outras cinco pessoas no País foram alvo de uma operação da Polícia Federal, que cumpriu mandados do STF.

Acusado de incitar ataques à democracia, Zé Trovão teve de prestar depoimento à Polícia Federal de Joinville, a quem se defendeu dizendo que agiu dentro da legalidade e não feriu nenhum artigo da Constituição. “Não devo nada”, completou.

Depois dessa operação, inclusive, Zé Trovão alega que teve de sair de casa.

“Eu não posso mais dormir na minha casa, não posso mais ficar com minha família. Invadiram minha casa às 6 horas da manhã. Minha esposa ficou desesperada. Tenho quatro filhos, um recém-nascido em casa. Para proteger minha família, tive de tirar de casa e colocar em outro lugar. Hoje, fico um dia em um lugar e outro dia noutro. Isso não é justo. Eu não sou bandido. Só quero meu país descente, com responsabilidade jurídica”, esbravejou o caminhoneiro, um dos líderes do movimento em Santa Catarina.

Em suas falas inflamadas de lá para cá, Zé Trovão afirma que irá participar das manifestações de 7 de Setembro, sem dizer o lugar, e defende que será uma mobilização popular histórica em busca de justiça e pelo impeachament dos ministros do Supremo.

“Em algum canto do Brasil eu vou aparecer. Talvez seja na (Avenida) Paulista, talvez seja em Brasília, talvez seja em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, não sei”, comentou em uma das transmissões.

Chegou a desafiar a Polícia Federal a prendê-lo. “Se quiserem me prender no dia 7 de Setembro vão me  prender no meio do povo.”

Morador de Joinville há três anos, o caminhoneiro ativista usa o canal canal Zé Trovão, a Voz das Estradas, para convidar a população a se mobilizar no dia 7 de Setembro. Também usa as redes para defender bandeiras do presidente Jair Bolsonaro.

Zé Trovão, inclusive, esteve com deputados e apoiadores de Bolsonaro na motociata em Florianópolis no dia 7 de agosto.

Recentemente, Zé Trovão e os empresários Turíbio Torres e Juliano Martins protocolaram um pedido ao STF para participar das manifestações do 7 de Setembro. Ocorre que, na mesma decisão de 20 de agosto, o ministro Alexandre de Moraes proibiu o caminhoneiro e outros investigados de se aproximarem da Praça dos Três Poderes, dos ministros do Supremo e de senadores. Eles deverão manter, pelo menos, a 1km de distância do local.

Mesmo assim, o líder caminhoneiro segue dizendo que não cometeu crime e conclamando todos para o movimento, “sem quebrar nada, sem ultrapassar o limite do bom senso, sem criar dano”, repete nas postagens.

Mas quem é Marcos Antônio Pereira Gomes?

Nasceu em São Paulo, capital, e aos sete meses foi para Minas Gerais para ser criado pelos avós paternos. Aos nove anos, foi conhecer o pai no Japão, onde morou apenas três meses e, como não se adaptou, voltou para o Brasil, para cidade de Tarumirim.

zé trovão “Tudo o que estamos fazendo está dentro da Constituição”. – Foto: reprodução vídeo Divulgação ND

Depois de alguns anos, Marcos Antônio Pereira Gomes voltou a morar em São Paulo para estudar e trabalhar. Chegou a exercer algumas profissões, como corretor de imóveis. Depois disso, foi para o Panará “realizar o sonho de caminhoneiro”. Comprou um caminhão, mas faliu e teve de voltar a trabalhar de empregado.

Há três anos, mora em Joinville, e trabalha como caminhoneiro. “Já fiz manifestações sozinho sempre acreditando que todos devem ter as mesmas oportunidades, todos têm o direito de viver bem”, argumenta.

O início do movimento

Marcos Antônio Pereira Gomes disse que nessa trajetória conheceu algumas pessoas, entre elas o empresário joinvilense Turíbio Torres. Em uma reunião de quatro caminhoneiros ocorrida em Joinville, conta Zé Trovão, a pauta discutida foi o que poderia ser feito para melhorar a situação do Brasil e da classe de caminhoneiros.

Foi então, segundo ele, que surgiu o desejo do impeachment dos ministros. “Hoje, a suprema corte funciona ao desejo dos ministros e não como STF”, critica.

Logo após o primeiro encontro, a pauta foi levada para a casa de um amigo em Barra Velha, onde, segundo Zé Trovão, a causa ganhou força: além do impeachment dos ministros, passaram a defender a contagem pública dos votos.

Importante lembrar que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do voto impresso foi rejeitada pelos deputados federais. Foi arquivada.

Zé Trovão faz questão de dizer que o movimento começou com, no máximo, 50 pessoas e se tornou “um movimento nacional com mais de 20 milhões de brasileiros.”

“Estou apanhando, sendo chamado de, entre aspas, terrorista. Mas tudo o que estamos fazendo está dentro da Constituição. Ficamos uma semana em Brasília protocolando documentos com uma equipe de advogados. Queremos o desarquivamento dos pedidos de impeachement contra os ministros do Supremo e também protocolamos o manifesto de 7 de Setembro. Minha classe vai parar. Mas nunca falei em quebrar nada. Nunca destruí nada. Tudo o que estamos fazendo está dentro da lei, da ordem. Estão atacando meus direitos, me censurando, censurando o povo”, conclui Zé Trovão.

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