Após ação de extremistas, congresso dos EUA confirma vitória de Joe Biden

Diante da ratificação do resultado das eleições americanas, presidente Donald Trump garante que fará uma "transição ordeira"; invasão ao Congresso incitada por Trump terminou com quatro mortos

O Congresso americano confirmou a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, depois de um dia de protestos de extremistas que culminaram em quatro mortes, segundo a polícia. A decisão foi tomada na madrugada desta quinta-feira (7).

Biden tomará posse no próximo dia 20. Interrompida por horas após a confusão, a sessão do Congresso foi retomada na noite de quarta-feira (6). O evento, que é apenas uma formalidade antes da posse, precisou ser suspenso após um grupo de apoiadores de Donald Trump invadir o Capitólio, em Washington.

A sessão foi presidida pelo vice-presidente Mike Pence. Ele também ocupa a função de presidente do Senado. Na quarta, Pence havia rejeitado os pedidos de Trump para invalidar a votação do Colégio Eleitoral.

Durante a sessão, apoiadores do atual presidente norte-americano entraram em confronto com a polícia ao tentarem invadir o prédio onde funciona o Congresso americano com o objetivo de barrar a certificação da vitória de Joe Biden nas últimas eleições.

Uma mulher foi baleada no peito pela guarnição que faz a segurança do prédio durante a invasão e morreu. Ela seria a veterana de guerra Ashli Babbit, que serviu por 14 anos na Força Aérea. Em entrevista a veículos locais, o marido disse que a mulher era “muito patriota e grande apoiadora de Trump”. A polícia confirmou que mais três pessoas perderam a vida em meio à confusão no Capitólio.

Segundo Biden, os violentos protestos promovidos ao redor do país foram organizados por “extremistas dedicados à baderna em um ataque ao direito das pessoas. As cenas que vimos no Capitólio não refletem o verdadeiro norte-americano, não representa quem somos. Isto é desordem, é caos, e deve terminar, agora”, destacou, logo após a confusão.

Donald Trump usou as redes sociais nesta quarta para divulgar um vídeo no qual ele pedia aos seus apoiadores que recuassem da invasão do Congresso, mas insistiu na tese de que as eleições foram fraudulentas e de que ele venceu, “de lavada”, o democrata Joe Biden.

Nesta quinta, Trump se manifestou e disse que fará uma “transição ordeira” em 20 de janeiro. Mas deixou claro que discorda do resultado da eleição americana.

O governo brasileiro não se pronunciou. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a dizer, na noite desta quarta-feira, que houve “muita fraude” nas eleições americanas que marcaram a derrota de Donald Trump, a quem o líder brasileiro destacou ser aliado.

Ao interagir com apoiadores no Palácio da Alvorada, o chefe do Executivo nacional foi perguntado sobre a situação tensa em Washington, mas não comentou os protestos.

“Eu acompanhei tudo. Você sabe que sou ligado ao Trump. Então, você sabe qual a minha resposta aqui. Agora, muita denúncia de fraude, muita denúncia de fraude. Eu falei isso um tempo atrás e a imprensa falou: ‘Sem provas, presidente Bolsonaro falou que as eleições americanas foram fraudadas’”, pontuou.

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