Em carta a Biden, Bolsonaro promete combater desmatamento, mas reivindica recursos

Bolsonaro reafirma o compromisso firmado em 2015, pelo governo Dilma Roussef, de eliminar o desmatamento ilegal até 2030

O presidente Jair Bolsonaro envia nesta sexta-feira (16) a Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, uma carta de sete páginas. Nela, ele trata de vários pontos de interesse do governo brasileiro, com destaque a questão do meio ambiente. Bolsonaro reafirma o compromisso firmado em 2015, pelo governo Dilma Roussef, de eliminar o desmatamento ilegal até 2030.

O presidente Jair Bolsonaro envia longa carta ao presidente dos Estados Unidos – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/NDO presidente Jair Bolsonaro envia longa carta ao presidente dos Estados Unidos – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND

Essa questão é um dos pontos mais criticados pela comunidade internacional. Sobretudo aquela que vai participar da Cúpula de Líderes sobre o Clima, marcada para o próximo dia 22, reunindo 40 países, sob liderança de Biden. Bolsonaro está entre os líderes convidados pelo presidente norteamericano para o encontro.

Recursos vultosos

Para cumprir o compromisso, no entanto, Bolsonaro ressalta que só

poderá alcançar a meta com investimento de “recursos vultosos”. Para isso, pede apoio ao governo americano. O Brasil tem sido alvo de cobranças quanto ao meio ambiente, principalmente por governos europeus, críticos ferrenhos do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Joe Biden é quem vai conduzir o encontro. Ele convidou o presidente Jair Bolsonaro entre 40 outros chefes de Estado – Foto: Reprodução/YoutubeJoe Biden é quem vai conduzir o encontro. Ele convidou o presidente Jair Bolsonaro entre 40 outros chefes de Estado – Foto: Reprodução/Youtube

A carta de Bolsonaro reitera também que a preservação ambiental da Amazônia depende do desenvolvimento econômico da região.

“Queremos reafirmar nesse ato, em inequívoco apoio aos esforços empreendidos por V. Excelência, o nosso compromisso em eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030”, diz trecho da carta. Mas o documento acrescenta que a meta depende de “recursos vultosos e políticas públicas abrangentes”. Assim, “o Brasil conta com todo apoio possível, tanto da comunidade internacional, quanto de Governos, do setor privado, da sociedade civil e de todos os que comungam desse nobre objetivo.”

Neutralidade climática

A carta cita ainda o compromisso assumido no Acordo de Paris. Nele, o país se compromete a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e em 43% até 2030, tendo por base os parâmetros de 2005.

Escrita em parceria com Ricardo Salles, do Meio Ambiente, Teresa Cristian, ministra da Agricultura, e Carlos França, das Relações Exteriores, a carta também trata da neutralidade climática. Significa neutralização de todo o carbono emitido no planeta, cada país fazendo sua parte. O Brasil se comprometeu a cumprir essa meta até 2060, mas Bolsonaro coloca a hipótese de fazê-lo até 2050, para atender reivindicação do próprio Biden. No entanto, o país precisa viabilizar recursos para isso.

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