Laudelino Sardá

Causos da Ilha, seus personagens, histórias e momentos do cotidiano de Florianópolis com quem conhece os cantos da Capital de Santa Catarina.


A felicidade silenciosa

“A felicidade existe, sim, não fora de nós, onde em geral a procuramos, mas dentro de nós, onde raras vezes a encontramos”

O educador e filósofo Huberto Rohden, nascido em São Ludgero, no Sul de SC, formado em universidades europeias, salientou uma frase que se propaga no mundo inteiro: “A felicidade existe, sim, não fora de nós, onde em geral a procuramos, mas dentro de nós, onde raras vezes a encontramos”.

Felicidade entre homem e mulher – Foto: PixabayFelicidade entre homem e mulher – Foto: Pixabay

Sim, Rohden, que Santa Catarina precisa valorizar e estimular seus conhecimentos, tem razão, porque a felicidade não pode ser compreendida como produto de circunstâncias externas, mas, sobretudo, das profundezas internas.

Ou seja, as portas do nosso castelo não se abrem por fora, mas por dentro de nossas convicções. Mas o que é a felicidade para o pescador, o nativo da ilha da magia? Sobretudo, sentir e viver o ambiente na simplicidade, desobrigado de vaidades e de estar na velocidade das mudanças.

Sim, desacelerar para nutrir-se da natureza, das relações humanas, com a sensação de que as horas custam a passar, mesmo na estação fria, em que o amanhecer sente preguiça de tanto frio e a noite se estende nos cobertores.

Para os impacientes e precipitados, o relógio é meteórico. E o ser pós-tecnológico corre para estar na frente do ponteiro, como se o risco de defasagem estivesse desenfreando, ainda mais, a nossa ansiedade. Como observa Rohden, a felicidade é silenciosa como a luz, enquanto a infelicidade é barulhenta e apressada.

Enquanto isso na praia da Cachoeira…..

– Ô Venanço, são nove hora e a neblina não larga a praia.

– É, os peixes agradecem; não precisam nem se esconder!

– Mas é cosa chata, né? Mal enxergo o teu nariz!

– É por isso que não encontrasse o teu chinelo, Lelo?

– Eu gosto de andar descalço, sentir a areia.

– Só a gente sente. Visse a carcada no preço da luz? Temo de acender o liquinho e vela.

– Venanço, é por isso que ninguém mais tá deixando luz acesa no terreno. E nem dentro de casa.

– Pois, Lelo, eu não ia ter problema com gasolina a quase 6 real; gás a mais de 110,00, se Moisés me arrumasse um emprego daquele que ele deu pro Moreira.

– E é bom, Venanço?

– O que ele vai ganhá por dia dá pra compra comprar mais de 30 kgs de camarão.

– Puta meda, Venanço, vá vê que Moisés tá de óleo queimado na turbina.

– Acho que colocaram nele foi querosene de avião.

– É, Venanço, somo feliz aqui, graça a Deus.

– Poisentão, Lelo, o ruim é depender de governo pra viver.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Loading...