Acorda, vereador

O vereador tem a sorte de nem sempre ser reconhecido nas ruas,  de outro modo teria o passo interrompido a cada interpelação

Se os vereadores fossem sensíveis aos problemas da cidade, já teriam, há alguns pares de anos, concluído o plano diretor, resistindo aos zumbidos de corporações e de grupos pessoais que querem a cidade desenhada sob a ótica de seus interesses.

O vereador tem a sorte de nem sempre ser reconhecido nas ruas,  de outro modo teria o passo interrompido a cada interpelação, cada pedido de esclarecimento, cobrança de omissões.

Sessão da Câmara de Vereadores de Florianópolis – Foto: Picasa/NDSessão da Câmara de Vereadores de Florianópolis – Foto: Picasa/ND

Se a cidade necessita, com urgência, de um plano diretor, a Câmara precisa exercitar o verdadeiro papel de um legislativo na vida da cidade. A grande maioria dos vereadores vive seus redutos eleitorais, joga cartas com patrocinadores de campanha, enquanto a cidade fica à espera de soluções. Aliás, vereador parece não ter a preocupação com o futuro de Floripa, onde também os seus filhos, netos e bisnetos precisam de qualidade de vida.

O vereador Pedro Medeiros, conhecido por “Um olho pelo Estreito” – tinha deficiência de uma vista – dizia que “eu não apenas aperto as mãos; tenho bons ouvidos e boca pra defender o continente”.

O ex-prefeito Ari Oliveira, em um inesperado desabafo, afirmou: “Administrar Florianópolis é como equilibrar-se num arame sem sobrinha”. A pressão político-partidária improvisava regras e transformava as repartições públicas em cabides de emprego. Até há poucos anos, a prefeitura tinha cerca de 800 cargos comissionados. Havia setores em permanentes conflitos eleitorais, com chefes disputando decisões. E os cargos comissionados são preenchidos por indicações de partido ou anuídos pela simpatia do prefeito. Quando muda o prefeito, praticamente os cargos comissionados são renovados, motivo pelo qual não há planejamento exequível. É comum um prefeito lançar farpas em seu antecessor, como se a prefeitura fosse descartável a cada quadriênio.

Cada vereador trabalha a sua individualidade estratégica, enquanto a Câmara vive às mínguas, sob os vendavais de críticas de uma cidade carente de soluções. O vereador digno é o que põe bem acima dos seus interesses as necessidades da cidade, de olho no futuro. A propósito, o vereador já refletiu sobre como será Floripa em 2030?

– Venanço, tu votou em qual vereador?

– Lelo, não me lembro e nem quero saber.

– Tens razão, Venanço, não tem diferença mesmo.

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