Paulo Alceu

pauloalceu@ndtv.com.br Análises qualificadas e comentários assertivos acerca dos assuntos mais relevantes para os catarinenses.


Com senadores pendurados na Justiça será difícil o impeachment de ministros do STF

Uma das perguntas que se ouve com freqüência. Até quando o Brasil irá suportar a ditadura da toga. Há esse sentimento sustentado por decisões da Suprema Corte. E esse descontentamento fortalece os pedidos de afastamento dos 11 togados imperiais. O presidente Bolsonaro estaria encaminhando ao Senado pedidos de impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Luiz Roberto Barroso. Mas o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, já se antecipou, devido a seus interesses eleitorais de 2022, dizendo que retaliação não é motivo de impeachment de ministros do STF. Seu antecessor Davi Alcolumbre arquivou todos os pedidos de impeachment contra os ministros da Suprema Corte. Eram 34 denúncias, sendo que 17 delas dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes, tendo como segundo maior foco os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Em 125 anos, apenas um ministro foi afastado. Fica difícil de acreditar que o Senado abra algum pedido de impeachment contra os togados da boa mesa e vinhos raros quando dos 81 senadores, 28 deles estão pendurados na Justiça, a maioria por suspeitas de corrupção, mas também por peculato, calúnia, formação de quadrilha e inclusive por violência doméstica. Estes senadores certamente trabalharão para que nenhum processo atinja os togados. Foi assim com Alcolumbre, alvo de duas investigações no STF e processos no TSE, que por sinal coincidência ou não depois de arquivar os pedidos de impeachment dos ministros, o Tribunal Superior Eleitoral engavetou três processos contra o senador onde o Ministério Público pedia a cassação do mandato. Uma mão lava a outra na parte podre da República. E o pior, continua lavando.

Loading...