Combate à pandemia teve mais acertos do que erros, avalia Gean Loureiro

Prefeito de Florianópolis foi entrevistado pelo colunista Paulo Alceu na série com lideranças políticas para o ND Notícias

O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM), foi o entrevistado desta quinta-feira (20) na série de entrevistas com lideranças políticas catarinenses realizadas pelo colunista e articulista Paulo Alceu para o telejornal ND Notícias.

Com mais quatro anos no comando da capital catarinense, ele avaliou que acertou mais do que errou nas ações do Executivo no combate à pandemia. Loureiro também falou sobre o consórcio nacional de vacinação feito por prefeitos para compra de vacinas.

Prefeito Gean Loureiro foi entrevistado pelo colunista Paulo Alceu – Foto: Paulo Rolemberg/NDPrefeito Gean Loureiro foi entrevistado pelo colunista Paulo Alceu – Foto: Paulo Rolemberg/ND

O prefeito de Florianópolis destacou ainda os investimentos que a administração municipal realizará nos próximos anos. Ele também respondeu perguntas sobre ações para ajudar os setores de evento e turismo, a relação com o governo do Estado no enfrentamento à pandemia e sua opinião quanto à CPI da Pandemia. Questionado sobre a disputa eleitoral do próximo ano, Gean Loureiro se esquivou: “no momento adequado isso vai poder ser avaliado”.

Prefeito eu já começo perguntando: o que o senhor considera que errou e que poderia fazer diferente no enfrentamento à Covid 2019?

Uma crise tão longa como essa, é impossível ter só acertos, mas acreditamos que tivemos mais acertos que erros e os indicadores de Florianópolis demonstram isso. Temos os melhores indicadores entre todas as capitais do Brasil. Agora são situações inesperadas, que chegando agora é fácil falar, quem viveu a tensão e a incerteza do momento trabalhou com dados científicos que pudessem levar a tomada de decisão.

Eu acredito que, talvez que pudesse ser feito diferente, seria a forma de comunicação com a população na tomada de decisões. Foram sempre decisões difíceis de serem compreendidas que precisavam ser bem mais explicadas.

O senhor não acha que foi muito duro no lockdown ferindo alguns segmentos da economia?

Nós não fizemos um lockdown em Florianópolis com fechamento total. Nós tivemos medida restritiva de circulação de pessoas e foi isso que garantiu que a cidade viva esse momento como está vivendo agora.

Com os melhores índices dentre todas as regiões de Santa Catarina com uma queda do número de óbitos. Se analisarmos a primeira quinzena de abril com a primeira quinzena de maio, a redução foi de 77%. Quando a gente vê que o controle da doença permite que a economia possa funcionar, passa a compreensão que certos momentos isso foi necessário para essa continuidade da atividade econômica.

Em relação à vacina, o senhor é presidente do consórcio nacional. Eu tenho uma dúvida em relação a isso. A vacinação é controlada pelo governo Federal, pelo Plano Nacional de Vacinação, o ingresso de governo, o ingresso de prefeitura, isso é para acelerar o processo de vacinação ou é para confrontar o governo federal?

Ao contrário, é para somar forças com o governo federal. A gente vive numa federação que os prefeitos podem ficar sentados na cadeira simplesmente reclamando do governo Federal ou participar ativamente para que o PNI (Programa Nacional de Imunização) possa acontecer de maneira mais ágil e rápida. É isso que nós estamos fazendo, estamos em negociação com os laboratórios em conjunto com o Ministério da Saúde. Hoje o governo federal e as prefeituras estão muito mais próximas e não apenas criticando sem fazer sua parte.

Eu vou sair um pouco do assunto Covid. Vamos para o futuro político de Santa Catarina: o senhor é candidato ao governo do Estado?

Nós temos ainda 350 mil pessoas para imunizar em Florianópolis. Seria, no mínimo, injusto estar falando das eleições 2022 quando tem essa missão agora. Prioridade agora é minha gestão em Florianópolis, a vacinação. E agora eu não falo em eleição de 2022.

E esse programa que o senhor começa a esboçar, quando é que ele vai ser apresentado esse plano de obras aqui em Florianópolis?

Tivemos um grande número de investimentos em 2019 investindo mais do que nos últimos dez anos juntos. Em 2020 mesmo com a pandemia isso acabou continuando, em 2021 isso não vai ser diferente. Vamos ter um volume considerável de obras em diversas áreas que são obras na saúde, educação, infraestrutura e na área social.

Gean falou sobre as ações no combate à pandemia e obras na capital catarinense – Foto: Paulo Rolemberg/NDGean falou sobre as ações no combate à pandemia e obras na capital catarinense – Foto: Paulo Rolemberg/ND

No mês de junho agora devemos lançar esse super pacote de obras. Vai vir aí a operação Asfaltaço 2, investimento em novas escolas, a cidade precisa continuar crescendo. E mesmo tendo como prioridade o acompanhamento da vacinação e o combate à pandemia, a cidade precisa ter um outro lado, se desenvolver economicamente é o que faz, gerar mais emprego e ter mais qualidade de vida.

Quais são as obras mais prioritárias que o senhor considera?

Nós ainda temos a necessidade de melhoria de mobilidade urbana, novas ligações entre bairros. Às vezes até desconhecidos como quando fizemos a ligação do Rio Vermelho até a Vargem Grande (Norte da Ilha) ninguém sabia o que era, hoje todo mundo está passando por ali para chegar mais rápido. Nós vamos fazer a ligação na Costa de Dentro, lá no Pântano do Sul, até o Ribeirão da Ilha (Sul da Ilha) muita gente não conhece e quando conhecer vai começar a utilizar. Essas ligações entre os bairros melhora a mobilidade regional que não pode ser esquecida. A gente percebe que esses investimentos são fundamentais.

Vamos construir ecopontos em vários bairros da capital, para ter um descarte mais regular, para não ter problemas ambientais. Fazer Escola do Futuro, uma no Continente que ainda não tem. Vamos fazer também centro de saúde com excelência. Nós vamos concluir o centro de saúde do Capivari, é um centro de saúde de quase 1.300 metros quadrados, com 28 consultórios, estrutura para uma população que mais cresce em Florianópolis. Então esses investimentos são fundamentais para Florianópolis não poder parar.

Prefeito durante a pandemia, o senhor sabe muito bem disso, o setor de eventos, o setor de turismo foram muito atingidos e continuam sendo atingidos. Florianópolis é uma cidade que tem uma sustentação turística, o senhor acha que errou em relação a algumas medidas que atingiram esse segmento, acha que vai dar para se recuperar rapidamente?

Nessa semana que passou fiz um decreto que definiu a possibilidade dos restaurantes e bares de utilizar mesas nas ruas. Nós buscamos novas tendências que possam diminuir o risco de contaminação e ampliar a sua utilização. Ampliar a sua utilização e gerar faturamento para esses estabelecimentos.

Em alguns momentos, mesmo sendo necessária, talvez eu já tomei decisões e voltei atrás, sem nenhum problema, e reconheço que quando isso for preciso tenho humildade para isso, mas a gente percebeu que era necessário tomar medidas de restrição da circulação, grande parte aceita pela totalidade, mas entendendo que no final o resultado garante que a nossa região é uma das poucas que está quase um mês no nível laranja em Santa Catarina.

Está permitindo uma retomada de eventos mais rápido do que em outras regiões. Então a gente acredita que valeu a pena te tomar essas medidas, Mas sabemos que o setor turístico e o setor de eventos, que foram os primeiros a fechar e, provavelmente, serão os últimos a retomar 100%, precisam ter velocidade para isso, definindo novos protocolos para que eles possam funcionar sem, contudo, aumentar a capacidade de transmissão.

Em relação ao governo do Estado houve uma sintonia com a prefeitura ou, de repente, ocorreram alguns atritos no segmento do combate à Covid?

Temos por características buscar sempre o diálogo com todas as esferas, tanto com o governo estadual quanto o governo federal, buscando ter uma proximidade. Que nesse momento, briga prejudica a sociedade, então nosso objetivo foi e continuará sendo trabalhar de maneira conjunta com a secretaria de Estado da Saúde e com o ministério da Saúde.

Gean Loureiro em entrevista para o telejornal ND Notícias – Foto: Paulo Rolemberg/NDGean Loureiro em entrevista para o telejornal ND Notícias – Foto: Paulo Rolemberg/ND

Hoje eu tenho relacionamento muito próximo com secretários, tanto a ex-secretária Carmen Zanotto quanto André Mota que retomou agora ao cargo, bem como o secretário executivo do ministério da Saúde que toma as decisões do dia a dia, Rodrigo Cruz. O entendimento de que quando todo mundo trabalha em conjunto quem ganha é a sociedade.

Prefeito gostaria de saber a sua opinião em relação a CPI da pandemia

Eu teria outras prioridades. Nesse momento é uma questão, que o congresso tem que analisar, mas me parece muito claro que nesse momento deveria ser de somar forças contra a pandemia, e para avançar com a vacina no Brasil.

O senhor acha que Santa Catarina vai se recuperar rapidamente em relação à economia?

Santa Catarina é um estado que tem a economia mais pujante do Brasil. É um estado que renasce por forças próprias do setor produtivo e tendo a estrutura pública apoiando, a capacidade de ter resultado é muito maior do que outros estados brasileiros. Eu tenho uma grande fé que vai retomar a receita do Estado já aumentou em uma demonstração de que a economia vem se ampliando. A receita em Florianópolis referente ao imposto sobre serviço também ampliou, mostra que os serviços estão criando, principalmente, na área de tecnologia.

Antes de terminar eu queria formular a pergunta de uma maneira diferente: o senhor gostaria de disputar o governo do estado em 2022?

Olha eu sempre tive o sonho de ser prefeito, realizei esse sonho e tenho compromisso com a cidade. Agora como administrador público falar que a pessoa não gostaria de governar o Estado de Santa Catarina, com as belas características que tem, seria injusto com o estado. Então no momento adequado isso vai poder ser avaliado.

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